O negro na telenovela

Eduardo Cesar Solange Martins Couceiro de Lima: telenovela costuma reforçar esterótipos negativos com relação ao negroEduardo Cesar

A telenovela no Brasil contemporâneo reflete uma situação de racismo não explícito característico da ideologia racial praticada na nossa sociedade. Um racismo do qual as pessoas nem têm consciência e que é tão ambíguo como as próprias relações raciais, com momentos de avanço e de retrocesso.

A maneira como são tratadas as personagens negras no enredo da telenovela reflete essa ambigüidade e, ao mesmo tempo que reflete, reforça a imagem do negro que vem sendo construída e transmitida pelas grandes redes de televisão a milhões de telespectadores no País: uma pessoa humilde ou em condição social subalterna, pobre, com pouca instrução e educação.

Se mulher, sensual. Quando esses estereótipos não estão presentes, o negro acaba sendo visto no mínimo como diferente, num universo de brancos. Esta é uma das conclusões da pesquisa A Identidade da Personagem Negra na Telenovela Brasileira, da professora de antropologia cultural Solange Martins Couceiro de Lima, da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa faz parte de um projeto mais amplo – Ficção e realidade: a telenovela no Brasil; o Brasil na telenovela -, constituído de nove diferentes estudos, oito deles financiados pela FAPESP, que está sendo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas de Telenovela (NPTN) da ECA.

O trabalho da antropóloga busca estudar a personagem negra com vistas a uma discussão mais ampla das relações entre ficção e realidade e de como a telenovela reflete a ideologia racial do brasileiro. “Os autores de telenovelas normalmente dizem que a personagem negra é colocada na trama na posição menos privilegiada porque essa é a posição que, em geral, o negro ocupa na sociedade”, assinala Solange Couceiro de Lima. Ela, entretanto, questiona isso. Afinal, telenovela não é realidade.

De qualquer maneira, com aquela justificativa, o ator negro está quase sempre limitado a interpretar papéis de negro “enquanto a nossa sociedade prega a mistura racial, a miscigenação, o ator é confinado a textos que demandem especificamente personagens negras. Raramente se vê um ator negro interpretar um médico ou advogado, em princípio personagens cuja cor não tem nenhuma influência na trama”, acentua Solange. Em fase de redação e dividida em dois períodos – 1975 a 1988 e 1988 a 1997 – a pesquisa está sendo elaborada a partir da análise das novelas produzidas pela Rede Globo e exibidas no horário das sete e oito horas da noite.

Também foram consultados jornais e revistas e foram feitas entrevistas com autores, atores e diretores de telenovela. Iniciada em 1995, a pesquisa será concluída em agosto deste ano e tem aporte financeiro de R$ 12.680,00 aplicados em material de infra-estrutura como computador, vídeo cassete, edição das fitas e viagens. Duas bolsistas participam do projeto.

Escravos e motoristas
Considerada um marco na história do gênero, a telenovela Pecado Capital, que foi ao ar em 1975, mostrou, pela primeira vez, um personagem negro, usando terno e gravata, no papel de um psiquiatra. Nas telenovelas anteriores, o negro aparecia sempre em posições subalternas, fazendo papéis de motorista ou de escravo, em novelas de época. Foi um avanço, seguido, entretanto, de muitos outros retrocessos.

Em 1988, por exemplo, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, uma série de iniciativas agitaram a questão racial no País. Naquele ano, recorda Solange, a telenovela Mandala, inicialmente planejada para homenagear o ator Grande Otelo, exibiu uma família de negros na trama. Ao ator, deu um papel de alcoólatra. Além disto, apresentou uma série de estereotipias, entre as quais, a da mulata sensual. “A telenovela, que presumidamente deveria homenagear o ator negro no ano do centenário da abolição, acabou mostrando exatamente só os estereótipos negativos”, destaca a antropóloga.

Em 1995, quando a pesquisa começou a ser feita de forma mais sistemática, começou a ser exibida a novela A Próxima Vítima, que incluiu no enredo uma família negra de classe média composta por personagens não estereotipadas. Outro avanço. Entretanto, segundo a pesquisadora, não havia naturalidade nas cenas em elas apareciam. A pesquisadora cita como exemplo o namoro entre uma moça negra membro dessa família e um rapaz branco.

Convidado para jantar na casa da família dela, o rapaz age de maneira burlesca à mesa (embora fosse um fotógrafo famoso de moda), apenas para tirar o negro da situação inferiorizada – sem acesso à boa educação e aos bons modos – em que ele normalmente aparece. “Ao fazer o contraste entre personagens brancos e negros, essa telenovela acabou mostrando situações inverossímeis, que demonstram a dificuldade que a equipe de profissionais tem (autor, diretor, etc.) de tratar com naturalidade as cenas com personagens negras”.

Nada surpreendente,segundo a antropóloga, porque,afinal, o autor de telenovelas também é influenciado pela formação e ideologia da sociedade e transpõe seus próprios valores ao tratar o tema. “As pessoas que fazem a mídia, que produzem a indústria cultural neste País, estão impregnadas dessa ideologia. Mas dizer que a mídia é racista, é simplificar demais. A sociedade tem o racismo qualificado e naturalizado, que é a maneira como avaliamos o negro, Numa sociedade que se quer branca, o negro é diferente; por isto ele tem que aparecer na mídia de maneira diferente.”

E a pesquisadora acrescenta: “É uma questão difícil de lidar, porque não chega a ser percebida facilmente. A imagem do negro é transmitida, as pessoas assistem , absorvem, reforçam estereótipos, mas elas não têm a consciência crítica de que é uma forma de preconceito”. Trata-se, de um racismo velado, que se acostuma com certas situações e até com a jocosidade, como, por exemplo, as piadas, que Solange classifica como “formas cínicas de um povo manifestar o preconceito”.

Formação da identidade
Ao mesmo tempo em que transmite uma imagem ao grande público, os meios de comunicação, assim como a escola, a família, os amigos, etc., também contribuem na formação da identidade social e racial dos negros. O público infantil, em especial, estabelece um processo forte de identificação/projeção com as personagens exibidas diariamente nas tevês. Nos programas infantis, os ídolos são loiros, de cabelos lisos.

E isto é percebido pelas crianças negrase brancas. Nas telenovelas, a maioria das personagens, adultas ou não também é branca.”A criança negra não tem na televisão um reflexo dela; o reflexo que ela tem é a negação, seja pela sua não existência, seja, quando existe, pela imagem negativa”, diz Solange, acrescentando que faltam estudos na área da Psicologia sobre essa questão, mas certamente ela deve pesar na auto-estima e no desenvolvimento emocional. Além disto, crianças brancas e negras, recebendo continuamente essas informações, acabam por não reconhecer a posição de igualdade das raças na sociedade.

Em relação à mulher negra, o tratamento não é diferente. A imagem transmitida é de sensualidade e sedução. “Toda vez que se mostra, como referência da mulher negra, o paradigma da Globeleza, e não o da professora universitária, da pesquisadora ou da profissional que trabalha com a questão da saúde, esse mito é reforçado”. Mas não são somente as mulheres que sofrem com a sua imagem convertida em estereótipos.

A pesquisadora detecta o surgimento de um novo padrão para o homem negro nas telenovelas: o sensual, bonito e atlético, que não significa uma democratização racial mas sim “uma referência maltratada pois simboliza o homem objeto”. Para Solange Couceiro de Lima, mesmo quando avança ou parece avançar na abordagem da questão racial, a mídia não pretende substituir os valores da sociedade. No máximo, ela vai, às vezes, transgredir alguns. “Mas essa transgressão é dentro do estabelecido, é dentro do sancionado”.

A análise detalhada do livro Memória da Telenovela Brasileira, do jornalista Ismael Fernandes, que contém as fichas técnicas de todas as telenovelas produzidas desde 1963 (ano da primeira telenovela), possibilitou à pesquisadora o levantamento daquelas que tinham a maior quantidade de atores negros. O estudo das personagens e dos enredos, ao longo de toda a pesquisa permitiu à professora concluir que a presença das personagens negras nas telenovelas continua, em geral, procurando reforçar o mito da democracia racial brasileira.

Algo que absolutamente não corresponde à realidade da sociedade nem dos meios de comunicação. “Como na democracia política, as grandes redes de televisão não estão contribuindo na construção de um modelo democrático para as relações étnicas entre brancos e negros. Não enfatizam nada que colabore para criar a auto-estima ou o orgulho de ser negro, sentimento fundamental para a construção de uma identidade”, conclui Solange.

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Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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Para além da sala de aula – Fechamento de escolas e universidades durante a pandemia de Covid-19 traz à tona debate sobre educação a distância

Fonte: Revista FAPESP

Registro de 17 de março mostra estudante solitário no campus da Universidade de São Paulo. Instituição oferece 183 cursos de graduação com mais de 58 mil alunos

Amanda Perobelli / Reuters / Fotoarena

Um novo capítulo da história da educação começou a ser escrito assim que a adoção das primeiras medidas de isolamento social, para conter o avanço da Covid-19 no mundo, provocou o fechamento de escolas e universidades. Mais de 1,2 bilhão de alunos do ensino infantil ao superior tiveram suas rotinas alteradas, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A estimativa é que 52 milhões de estudantes brasileiros, de todos os níveis, tenham sido afetados. A urgência do problema levou ao desenvolvimento de estratégias de ensino remoto em vários países, na tentativa de atenuar os efeitos imediatos sobre o processo de aprendizagem. No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a substituição de aulas presenciais por virtuais enquanto durar a pandemia provocada pelo vírus Sars-CoV-2.

A estudantes de escolas públicas e privadas, de diferentes regiões do país, têm sido ofertadas aulas on-line, mas nem todos conseguem acompanhá-las. Caso dos mais socialmente vulneráveis, que não têm computador em casa, tampouco acesso a um serviço de internet de banda larga. Além disso, nas classes mais pobres já conectadas, 85% das pessoas utilizam a internet apenas pelo celular e com pacotes de dados limitados, de acordo com o relatório mais recente do Comitê Gestor da Internet.

Diante da desigualdade no acesso a conexões rápidas e computadores, aprofundada durante o isolamento social, a discussão sobre as possibilidades e impasses da educação a distância (EaD) ocupa agora o centro do debate público sobre práticas de ensino e aprendizagem. Especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, afirmam que o uso emergencial de ferramentas digitais – para não paralisar completamente as atividades de ensino – deve ser encarado como paliativo, e não como verdadeira difusão da EaD no país. “Muitas dessas iniciativas implementadas de última hora não apresentam as principais características que definem o conceito de educação a distância”, observa Eduardo Santos Junqueira, professor do programa de pós-graduação em educação brasileira na Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Grupo Ler (Linguagens e Educação em Rede). “Há confusão sobre o que, de fato, significa fazer um curso a distância.”

Cursos e processos de aprendizagem a distância não são caracterizados apenas pela separação física entre professores e alunos. “É marcante o uso pedagógico intenso de tecnologias de informação e comunicação nesse modelo”, ressalta Junqueira. De acordo com o pesquisador, nos últimos anos, o desenvolvimento de sistemas de transmissão em tempo real e de compartilhamento de dados ampliou a capacidade de interação na EaD. “Por meio de ambientes virtuais de aprendizagem como o Moodle, professores e alunos podem interagir com conteúdos de vídeo e áudio e aprofundar o diálogo”, diz Junqueira, referindo-se ao software livre criado em 2001 pelo programador australiano Martin Dougiamas. A plataforma é utilizada como ferramenta de educação a distância em mais de 150 países e funciona como uma universidade on-line onde professores podem disponibilizar material didático e propor atividades interativas, como testes e discussões em fóruns. Para os estudantes, o ambiente facilita a troca de conhecimento e de arquivos multimídia. Instituições como as universidades de São Paulo (USP), Federal de Minas Gerais (UFMG) e Federal de Pernambuco (UFPE) adaptaram esse sistema para criar suas próprias plataformas de EaD.Glossário
Educação a Distância (EaD):

Modalidade educacional caracterizada pela separação física entre professores e alunos. As atividades de ensino são baseadas na utilização de diferentes meios de comunicação, de apostilas impressas a computadores.

E-learning:
É a oferta de programas de educação e de aprendizagem por meio de ferramentas digitais, como softwares e plataformas interativas. Inicialmente os cursos eram oferecidos em CD-ROMs. Com o avanço da internet, surgiram os cursos on-line.

Homeschooling:
Ensino doméstico ou domiciliar. Geralmente o estudante é supervisionado diretamente pelos pais. Neste modelo, materiais de EaD costumam dar suporte para as atividades de aprendizagem. A modalidade é legalizada em países como Estados Unidos, Áustria, Canadá, França e Portugal, mas, no Brasil, não está prevista em lei.

Para que as tecnologias digitais ajudem a reduzir a sensação de distanciamento humano que caracterizou grande parte da história da EaD no mundo (ver linha do tempo) são necessários meses de planejamento em torno da criação de uma disciplina on-line, ressalta Junqueira. Não se trata, ele diz, de “jogar conteúdos numa plataforma digital e esperar que os alunos aprendam sozinhos”. É comum que a preparação do curso envolva uma equipe multidisciplinar composta por pedagogos, webdesigners, programadores e especialistas em comunicação digital. “Não se pode esperar que o professor tenha todas as habilidades técnicas necessárias para a concretização de um curso a distância. É fundamental que o docente trabalhe conjuntamente com outros profissionais para que ele e os alunos possam utilizar da melhor forma possível os recursos tecnológicos.”

Ou seja, professores que se aventuram na EaD precisam de treinamento específico. Em tempos de pandemia, ficou mais evidente que muitos não estão capacitados para atuar nesse modelo de educação, como mostra pesquisa feita pelo Instituto Península com 7.734 professores de todo o país que atuam na educação básica em escolas públicas e particulares. Desse total, 83% disseram que se sentem pouco preparados para o ensino remoto e 88% afirmaram que nunca haviam dado aula de forma virtual antes da quarentena. Dados do Comitê Gestor da Internet ainda mostram que, no Brasil, apenas 22% dos professores participaram de algum curso de formação continuada sobre o uso de computadores e internet nas atividades de ensino.

Em geral, a formação de professores no Brasil não os prepara para usar as tecnologias digitais, seja a distância ou dentro da sala de aula, avalia o matemático Klaus Schlünzen Junior, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT-Unesp), campus de Presidente Prudente (SP). Ele coordena o Centro de Promoção para Inclusão Digital, Escolar e Social (Cpides) da Unesp, dedicado a formar professores para uma educação digital e inclusiva e para utilizarem dispositivos tecnológicos e acessíveis em sala de aula, em especial para alunos com deficiência. Desde sua fundação, em 2010, o centro certificou cerca de 6 mil docentes de todo o país.

“A tecnologia está presente em vários lugares, como hospitais e bancos, mas no ensino tornou-se um tabu”, afirma Schlünzen. Em sua avaliação, o uso de metodologias adequadas para a aplicação de recursos tecnológicos é decisivo para o sucesso da aprendizagem no âmbito da EaD. “Plataformas digitais podem ajudar a estimular uma postura mais ativa nos estudantes, rompendo com o modelo tradicional centrado na figura do professor”, considera. Em meio à abundância de fontes de informação na internet, diz Schlünzen, não cabe mais ao docente ser exclusivamente um transmissor de conteúdo.

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Tartarugas são atraídas pelo cheiro do plástico podre – Um experimento mostra que elas reagem aos resíduos plásticos com incrustações orgânicas como se fossem um coquetel de camarões e peixes

Fonte: Jornal El Pais

Filhotes de tartaruga tendem a comer mais plástico que as adultas.
Filhotes de tartaruga tendem a comer mais plástico que as adultas.SKEEZE

As tartarugas são atraídas pelo cheiro do plástico que flutua nos oceanos. Um experimento com uma série de aromas mostra que elas reagem como se estivessem diante de um coquetel de camarões e peixes. Mas, para que se comportem da mesma maneira, o lixo plástico precisa ficar tempo suficiente no mar para que algas e outros organismos adiram a ele. As tartarugas reagiram aos pedaços de polietileno de uma garrafa limpa como se fosse a brisa do mar.

A cada ano, vários milhões de toneladas de plástico acabam no mar. Animais marinhos se deparam com esses resíduos e até os comem. Um estudo de 2015 calculou que 52% das tartarugas marinhas comiam plástico. O que não está totalmente claro é se fazem isso por acidente ou porque acreditam que seja comida. Segundo uma hipótese, esses répteis confundem uma sacola de supermercado com uma medusa. Mas essa explicação valeria apenas para as espécies como a tartaruga-de-couro, que se alimentam quase exclusivamente de medusas. As demais também comem peixes e crustáceos, e há algumas que pastam nas pradarias marinhas como se fossem vacas.

Agora, um experimento aponta para uma resposta a um estímulo mais complexo. Pesquisadores de várias universidades dos EUA e do Caretta Research Project, um projeto para proteger a tartaruga-cabeçuda, expuseram 15 animais dessa espécie a quatro aromas distintos. No tanque de água em que as colocaram, dispersaram quatro odores: o de um litro de água desmineralizada, o de 20 gramas de uma almôndega composta de peixes e mariscos, o de uma garrafa de água vazia em pedaços, mas limpa, e o de outra garrafa, também em pedaços, mas que tinha ficado no mar durante cinco semanas.

O trabalho, publicado na Current Biology, mostra que as tartarugas praticamente não foram atraídas pela água desionizada e pelo plástico limpo. No entanto, multiplicaram até cinco vezes o tempo que punham seus narizes para fora da água para cheirar tanto o aroma da bola de peixes e mariscos como o exalado pelo plástico com material orgânico incrustado. Também triplicaram o número de cheiradas em cada emersão. Os dois padrões são indicadores de busca de alimento. Houve até mesmo maior atividade ante o aroma do plástico com microrganismos.

“Vemos que as tartarugas-cabeçudas respondem ao aroma dos plásticos com incrustações biológicas da mesma forma que com o aroma do alimento, o que sugere que podem ser atraídas pelos restos de plástico não só por sua aparência, mas também por seu cheiro”, diz em uma nota o pesquisador da Universidade da Flórida (EUA) e coautor do estudo Joseph Pfaller. “Essa armadilha olfativa poderia ajudar a explicar por que as tartarugas marinhas engolem e se enroscam nos plásticos com tanta frequência”, acrescenta.

Os autores reconhecem que, pelo próprio desenho de seu experimento, não podem saber qual elemento específico presente no plástico foi o que atraiu as tartarugas. No tempo que passaram na água, as partes de plástico se tornaram o lar de vários microrganismos marinhos. Daí que os cientistas sugiram a possibilidade de que voláteis emanados da síntese orgânica de microalgas, hidrozoários ou outros organismos atraiam os répteis marinhos como um indício de que há comida.

Além de identificar os produtos químicos responsáveis pelo aroma atraente, a grande limitação desse trabalho é que ele foi realizado com exemplares jovens (cinco meses de vida) criados em cativeiro de uma das seis espécies de tartarugas marinhas que existem. O estudo deveria ser replicado nas outras que, com dietas diferentes, também caem na armadilha do plástico.

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Desenvolvemos diversos serviços na área ambiental. Dentre eles estão:
– Laudos de fauna com forme Decisão de Diretoria CETESB nº 167/2015,
– Laudo de Caracterização de Vegetação, conforme Resolução CONAMA 01/94;
– Levantamento cadastral arbóreo conforme legislação municipal e – Decisão de Diretoria CETESB nº 287/2013
– Licenciamento ambiental municipal, CETESB e IBAMA,
– Regularização ambiental,
– Projetos de recuperação de área degradada,
– Projetos de compensação ambiental (restauração ecológica) conforme – Resolução SMA nº 32/2014 e Resolução SMA nº 07/2017,
– PGRCC (Plano de gerenciamento de Resíduos de Construção Civil),
– PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos)
– TCRA (Termo de compromisso de recuperação ambiental), TAC (Termo de ajustamento de conduta), TCA (Termo de compromisso ambiental),
– PCA (Projeto de Compensação Ambiental),
– Relatórios ambientais diversos;
– Perícia ambiental e assistência técnica,
– Processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA,
– Restauração ecológica (Plantio de compensação ambiental),
– Relatórios de monitoramento de plantio e de plantio,
– Plano de Gerenciamento de Risco de Fauna em Área Aeroportuária – CENIPA/CETESB
– Elaboração de PTRDA – DECONT (projeto Técnico de Reparação de Dano Ambiental),
– Processos GRAPROHAB
– Elaboração de documentos técnicos conforme Anexo único da Decisão de Diretoria nº 153/2014/I – MANUAL PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDOS PARA O LICENCIAMENTO COM AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL
– Elaboração de Planta Urbanistica Ambiental,
– Processo de Autorização de corte de árvores isoladas,
– Processos para obtenção de IPTU Verde,
– RAS (Relatório Ambiental Simplificado), Plano de Controle Ambiental (PCA)

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O quebra-cabeça da imunidade – Questões cruciais sobre a resposta do sistema imunológico contra o novo coronavírus permanecem em aberto

Fonte: Revista FAPESP

Imagem de microscopia eletrônica colorizada mostra uma célula humana fortemente afetada por partículas virais do Sars-CoV-2 (em amarelo)

NIAID

Oito meses depois de o vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, ter sido identificado pela primeira vez em humanos na cidade de Wuhan, na China, pesquisadores e médicos ainda tentam montar o grande quebra-cabeça que indique como o sistema imunológico responde ao patógeno. Saber exatamente como as pessoas infectadas combatem e eliminam o vírus e por quanto tempo ficam protegidas de uma possível reinfecção é importante para o desenvolvimento de vacinas, medicamentos e até para as políticas públicas que determinam a necessidade de medidas de distanciamento social, quarentenas e lockdowns.

Aos poucos, as numerosas pesquisas relacionadas à Covid-19 têm fornecido peças ao jogo. O quadro, porém, segue incompleto. Até agora não há nenhum caso comprovado, que não suscite nenhuma dúvida, de reinfecção – sinal para os cientistas de que alguma proteção há para aqueles que já se infectaram. O grau dessa imunidade e a sua duração permanecem incógnitas.

A missão de completar o quebra-cabeça fica mais difícil dada a novidade representada pelo vírus e a complexidade do sistema imunológico humano – ora comparado a uma orquestra com diversos componentes, ora ao Exército com diferentes subdivisões e batalhões, ora a uma máquina com muitas engrenagens. O batalhão mais popular dessa força de defesa é formado pelos anticorpos, entre eles as conhecidas imunoglobulina G (IgG) e imunoglobulina M (IgM), identificados nos testes rápidos aplicados em farmácias e laboratórios (ver box). Anticorpos são proteínas dissolvidas no plasma sanguíneo e produzidos por linfócitos B. A defesa por anticorpos é chamada pelos médicos de imunidade humoral.

Pesquisas e inquéritos epidemiológicos em geral procuram por essas classes de anticorpos para verificar qual a porcentagem de determinado grupo populacional que já teve contato com o vírus. “Costumamos dizer que o IgG é quase como uma cicatriz imunológica, um sinal dizendo que um vírus passou por ali”, explica o médico imunologista Jorge Kalil, professor de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (InCor).

Um estudo chinês publicado em 18 de junho na revista Nature Medicine, no entanto, observou que 37 pessoas que comprovadamente haviam sido infectadas com o Sars-CoV-2, mas permaneceram assintomáticas, apresentaram níveis menores no sangue de IgG e de anticorpos neutralizantes (que impedem o vírus de entrar nas células) do que as que tiveram sintomas moderados, apesar de ficarem por mais tempo com níveis detectáveis de vírus que os sintomáticos. Além disso, dois ou três meses depois da infecção aguda, os níveis desses anticorpos caíram a um patamar que, em 40% dos casos de assintomáticos, se tornaram não detectáveis. No caso dos pesquisados com sintomas, 12,9% ficaram soronegativos. 

O resultado da pesquisa chinesa levantou dúvidas se pessoas com a forma leve da Covid-19 estariam então mais suscetíveis a uma reinfecção. Ainda não é possível esclarecer essa questão, dizem os especialistas. Uma possibilidade é a de que os testes não tenham conseguido detectar uma quantidade menor de anticorpos e eles, apesar da pouca quantidade, seriam eficientes o bastante para combater o vírus. De qualquer forma, segundo os autores do artigo, da Universidade Médica de Chongquing, os resultados contribuem para expor os riscos de usar passaportes de imunidade à Covid-19, como alguns governos cogitaram adotar, conferindo vantagens de mobilidade a pessoas que já tivessem se recuperado da infecção pelo vírus.

Léo Ramos Chaves Cientistas do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), do Rio de Janeiro, trabalham no desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírusLéo Ramos Chaves

“Associar a presença de anticorpos, do tipo IgG, a um passaporte de imunidade é uma questão que já caiu por terra”, considera a infectologista Nancy Bellei, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Observamos que muitos pacientes que contraíram a doença depois de algum tempo não têm mais IgG que reconheça os antígenos virais.” Para ela, que desenvolve pesquisas na área de vírus respiratórios há décadas, o resultado desse estudo na China não é exatamente uma surpresa, assim como outros que apontam na mesma direção, como um divulgado em meados de julho por pesquisadores do King’s College de Londres, na Inglaterra.

“Os vírus respiratórios classicamente não determinam uma imunidade permanente e as pessoas infectadas por eles não costumam manter os níveis de imunoglobulina positivos estáveis como logo após a infecção”, declara a pesquisadora. “A despeito de ser novo para a população humana e de apresentar características de patogenicidade em outros tecidos além dos respiratórios, o Sars-CoV-2 não deixa de se comportar e de ser classificado como um vírus respiratório”, ressalta. 

Mas níveis baixos ou mesmo ausência de IgG no plasma sanguíneo das pessoas já infectadas, mesmo que assintomáticas, indicariam que essas pessoas não têm nenhuma imunidade ao novo coronavírus? Muito provavelmente a resposta a essa pergunta é não, dizem infectologistas e imunologistas. Dois artigos recentes, publicados nos repositórios de preprints medRxiv e bioRxiv, apontam que parte dos indivíduos pode desenvolver uma forte resposta celular de linfócitos T específicos ao Sars-CoV-2 mesmo sendo soronegativa. Linfócitos são um tipo de célula de defesa do organismo.

O primeiro artigo, de autoria de cientistas da Universidade de Estrasburgo, na França, refere-se aos casos de sete famílias que tinham ao menos um de seus integrantes se recuperando da forma moderada da Covid-19. Seis de um total de oito parentes que depois desenvolveram sintomas da doença apresentaram respostas de células T, mas não anticorpos contra o novo coronavírus.

O segundo estudo, de pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, investigou a resposta de células T de memória em diferentes grupos de pessoas: doadores de sangue saudáveis, que doaram antes da pandemia ou durante; parentes que dividiam a casa com indivíduos convalescentes e expostos à doença durante a fase dos sintomas; e pessoas que estavam em fase de recuperação da doença, que haviam tido sintomas leves/nenhum sintoma ou a forma grave da Covid-19. Os cientistas também observaram uma resposta celular dos linfócitos T muito robusta mesmo sem a presença de anticorpos. 

“Os resultados desses estudos somados à inexistência de casos de reinfecção até agora nos dão certa tranquilidade de que é muito provável que tenhamos, ao menos durante algum período, certo grau de proteção. Quanto à duração dessa imunidade, só o tempo irá dizer”, destaca o infectologista Reinaldo Salomão, da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, pesquisador responsável por um estudo apoiado pela FAPESP que vai investigar as respostas inflamatórias e imunológicas de pacientes com Covid-19 grave e moderada.

Salomão ressalta que um possível motivo para a não detecção de IgG nos testes sorológicos de indivíduos que se infectaram, tal qual demonstrado nas pesquisas realizadas até então, esteja relacionado aos próprios testes, que podem não ser tão sensíveis e específicos para o Sars-CoV-2. “Isso aconteceu também com o HIV. Agora estamos na quarta geração de testes para essa enfermidade e eles melhoraram muito.” 

Léo Ramos Chaves Profissional da saúde coleta sangue para realização de teste sorológico rápido para Covid-19Léo Ramos Chaves

Por outro lado, especialistas salientam que mesmo um teste positivo para IgG não significa necessariamente que o indivíduo esteja protegido contra o vírus, uma vez que o exame não deixa claro se foram produzidos ou não anticorpos neutralizantes, capazes de evitar que o novo coronavírus entre na célula humana. A presença no sangue de IgG, destacam especialistas, não está necessariamente relacionada à existência de anticorpos neutralizantes.

O primeiro estudo a mostrar a possibilidade de uma resposta celular humana vigorosa contra o novo coronavírus, de acordo com o imunologista Edecio Cunha-Neto, do InCor e FM-USP, foi publicado em maio na revista Cell por cientistas do Instituto de Imunologia de La Jolla, em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos. 

Além de observar uma forte resposta celular a proteínas que simulavam o Sars-CoV-2 em um grupo de 20 adultos que se recuperaram da Covid-19, eles também viram que havia uma reação positiva de 40% das amostras de sangue retiradas em 2019, antes da disseminação da Covid-19, usadas no estudo como controle. Ou seja, havia uma resposta imune celular a peptídeos – fragmento de proteínas – que se assemelhavam aos peptídeos do novo coronavírus no sangue de pessoas que nunca haviam tido contato com o vírus.

“A única forma de explicar isso é que essas células T de memória nesses indivíduos apareceram depois de um contato com um patógeno muito parecido”, diz Cunha-Neto. “Esse patógeno existe: é o coronavírus endêmico ou sazonal, o que causa resfriado leve.” De acordo com o pesquisador, cerca de 50% da sequência das proteínas dos coronavírus endêmicos é idêntica ao Sars-CoV-2. “O trabalho da Universidade de Estrasburgo já havia observado uma reatividade intensa e frequente a coronavírus endêmicos em todos os parentes que contraíram a Covid-19 e em 80% das pessoas saudáveis testadas”, diz Cunha-Neto.

Em comentário publicado na Nature Reviews Immunology em 7 de julho, os cientistas Alessandro Sette e Shane Crotty, coautores do artigo da Cell, sustentam que mais de 90% da população humana é soropositiva para ao menos três dos quatro tipos de coronavírus endêmicos que circulam pelo mundo. E que a resposta cruzada de células T de memória seria capaz de interferir em resultados de vacinação, podendo levar, por exemplo, a uma resposta imune melhor ou mais rápida. Por outro lado, destacam os pesquisadores, pode ser um fator de confusão especialmente para os ensaios de fase 1 no desenvolvimento de vacinas. Isso porque os testes dessa fase são feitos com grupos menores de pessoas e o fato de os indivíduos terem ou não células com memória decorrentes do contato com coronavírus endêmicos poderia levar a diferentes conclusões.

Para tentar evitar a resposta cruzada e verificar se há mesmo uma imunidade celular específica e eficaz ao novo coronavírus, Cunha-Neto e seu grupo de pesquisa preparam um experimento no qual vão selecionar os peptídeos usados para verificar a resposta celular, separando as partes que são exclusivas ao Sars-CoV-2 dos trechos idênticos aos dos outros coronavírus. “Só assim poderemos dizer se há mesmo pacientes com Covid-19 soronegativos e com resposta celular específica ao Sars-CoV-2 e qual sua proporção”, diz o pesquisador. Se comprovado, isso pode indicar que avaliações de infectados/imunes somente usando testes de anticorpos subestimam o número real de infectados com o patógeno, sustenta Cunha-Neto.

“Enquanto a produção de grandes quantidades de anticorpos ocorre apenas antes da eliminação do vírus, e depois seus níveis se reduzem no sangue ou até ficam indetectáveis, as células T de memória persistem por décadas”, afirma. Ele explica que pacientes que contraíram a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) quase 20 anos atrás, causada pelo Sars-CoV-1, “primo” do Sars-CoV2, têm poucos anticorpos, mas quantidades consideráveis de linfócitos T de memória ao vírus original, que se ativam vigorosamente após novo contato com o antígeno. “Imagina-se hoje que a memória e a defesa de longo prazo contra o Sars-CoV-2 dependam muito dos linfócitos T. Assim, uma vacina eficaz teria que induzir a produção tanto de anticorpos neutralizantes, ou não, quanto de linfócitos T CD4+ e CD8+.”

Também no InCor, Kalil desenvolve pesquisa com 220 convalescentes que tiveram a doença e eliminaram o vírus. Ele estuda a resposta de anticorpos e de linfócitos T a fim de definir alvos específicos para o desenvolvimento de uma vacina brasileira. “Provavelmente vamos trabalhar em nosso imunizante com partículas semelhantes ao vírus, chamadas VLP. Estamos estudando para ver o que poderá induzir uma melhor memória imune”, afirma o especialista. “Não queremos usar a proteína inteira da espícula viral [as projeções que revestem o patógeno], mas tirar fragmentos para provocar uma resposta equilibrada de células de defesa T e B, produtoras de anticorpos.” Com sorte e muito trabalho, será uma peça a mais para ajudar na montagem do quebra-cabeça da imunidade contra o novo coronavírus.Batalhão orquestrado
Entenda como o organismo reage quando é atacado por um patógeno desconhecido

A primeira resposta do sistema imunológico contra a infecção pelo Sars-CoV-2, assim como por novos vírus e bactérias, vem  da chamada imunidade inata, que é mais genérica e nasce com todo ser humano. “Se alguém tem uma resposta inata muito forte e elimina o vírus, ela nem vai ter sinal de que se infectou”, diz o imunologista Edecio Cunha-Neto, do Instituto do Coração (InCor).

Quando a imunidade inata não aniquila em poucos dias o patógeno, o organismo ativa a chamada imunidade adaptativa, que é mais específica e varia conforme as experiências do indivíduo com microrganismos patogênicos, gerando uma memória imune. A imunidade adaptativa envolve tanto anticorpos, produzidos pelas células ou linfócitos B – a chamada imunidade humoral –, quanto os linfócitos T, a imunidade celular. As primeiras a serem ativadas quando a inata não resolve a questão são as células T CD4+. “Quando isso ocorre, elas agem diretamente sobre o patógeno, ativam células T CD8+ citotóxicas ou ativam os linfócitos B”, diz Cunha-Neto. 

Os linfócitos T CD8 citotóxicos ativados pelas células T CD4+ tornam-se capazes de destruir as células já infectadas pelo patógeno, enquanto os anticorpos neutralizantes impedem a entrada do vírus nas células saudáveis. “Na maior parte dos casos, antes de ter um anticorpo específico para o vírus, tem-se uma célula T específica”, explica o pesquisador do InCor. Às vezes, o vírus é eliminado antes de qualquer produção de anticorpos, que levam cerca de 7 a 14 dias para aparecer.

Os anticorpos do tipo imunoglobulina M (IgM) são produzidos na fase aguda da infecção e os do tipo imunoglobulina G (IgG) aparecem depois, quando em tese a pessoa já estaria protegida – para cada patógeno diferente que ataca o organismo são produzidos anticorpos (IgG, IgM etc.) específicos para aquele invasor. Existem, ainda, três outras classes de imunoglobulina: IgA, IgE e IgD (ver infográfico).

Dependendo do tipo de vírus, os níveis de IgG permanecem detectáveis por meses ou anos. Mas, aparentemente, não é isso o que vem ocorrendo no caso do Sars-CoV-2 – algumas pesquisas apontaram que eles podem desaparecer em duas ou três semanas.

Em artigo ainda não revisto pelos pares publicado em junho na plataforma medRxiv, pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, descrevem os resultados de um estudo longitudinal nos quais acompanharam ao longo do tempo 103 pacientes positivos para a Covid-19, comparando com 108 indivíduos para controle, negativos para a doença, observando a resposta imunológica ao vírus e a trajetória clínica de cada um. 

As duas principais conclusões foram a de que um quadro clínico mais grave está associado não só à carga viral mais intensa e prolongada, mas a uma disfunção da resposta imune, que em um primeiro momento é mais lenta para controlar o Sars-CoV-2 e depois acaba ativando uma resposta inflamatória exagerada; e que há marcadores imunológicos presentes no sangue já na fase inicial da doença capazes de predizer a trajetória clínica.

“Isso poderá auxiliar no direcionamento do tratamento e de intervenções clínicas”, diz a imunologista brasileira Carolina Lucas, primeira autora do artigo, que atualmente faz pós-doutorado em Yale. “Esse estudo mostra que é importante não só focalizar no controle do vírus, mas também no controle da resposta inflamatória excessiva.”¨C33C¨C34C

Projetos
1. Estudo de coorte prospectiva para avaliação de aspectos clínicos, virológicos e de resposta do hospedeiro em pacientes com Covid-19 (nº 20/05110-2); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Reinaldo Salomão (Unifesp); Investimento R$ 143.100,20.
2. INCT 2014: Investigação em imunologia (nº 14/50890-5); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Jorge Elias Kalil Filho (USP); Investimento R$ 3.980.221,36.
3. Desenvolvimento de vacina anti-Sars-CoV-2 utilizando VLPs (nº 20/05146-7); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; ¨C46C Gustavo Cabral de Miranda (USP); ¨C47C R$ 178.100,00.
¨C48C Mapeamento de epítopos do vírus Sars-CoV-2 para linfócitos T e do receptor da proteína spike para linfócitos B (nº 20/05256-7); ¨C49C Auxílio à Pesquisa – Regular; ¨C50C Jorge Elias Kalil Filho (USP); ¨C51C R$ 154.865,00.

Artigos científicos
LONG, Q. et al. Clinical and immunological assessment of asymptomatic Sars-CoV-2 infections. Nature Medicine. 18 jun. 2020.
SEOW, J. et al. Longitudinal evaluation and decline of antibody responses in Sars-CoV-2 infection. medRxiv (preprint). 11 jul. 2020.
GALLAIS, F. et al. Intrafamilial exposure to Sars-CoV-2 induces cellular immune response without seroconversion. medRxiv (preprint). 22 jun. 2020.
SEKINE, T. et al. Robust T cell immunity in convalescent individuals with asymptomatic or mild Covid-19. bioRxiv (preprint). 29 jun. 2020.
GRIFFONE, A. et al. Targets of T cell responses to Sars-CoV-2 coronavirus in humans with Covid-19 disease and unexposed individuals. Cell. 14 mai. 2020.
LUCAS, C. ¨C63C. Longitudinal immunological analyses reveal inflammatory misfiring in severe Covid-19 patients. ¨C64C. 27 jun. 2020.Republicar

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Estado de São Paulo registra aumento de 4,9% na área de vegetação nativa – Metade dos municípios paulistas tem até 15% de matas e campos naturais, indica Inventário Florestal

Fonte: Revista FAPESP

No Parque Estadual Carlos Botelho, no sudeste paulista, predomina a floresta ombrófila densa, a forma da Mata Atlântica com maior área no estado (11%)

Eduardo Cesar

Ilhabela, Iporanga e Pedro de Toledo emergiram como os municípios paulistas com maior área de vegetação nativa, respectivamente com 94,1%, 90,9% e 90%, de acordo com a versão mais recente do Inventário florestal do estado de São Paulo, lançada nesta quinta-feira (23/7). Inversamente, São Caetano do Sul, Cruzália e Pedrinhas Paulista são os com menor cobertura vegetal, respectivamente com 1,6%, 3,7% e 3,9%.

A vegetação nativa continua concentrada na serra do Mar, cujo relevo dificulta a ocupação urbana e a agricultura, e é escassa a oeste do estado. Porém “a regeneração florestal já é maior que o desmatamento”, observa o físico Marco Aurélio Nalon, pesquisador do Instituto Florestal de São Paulo (IF) e coordenador do inventário, realizado pela empresa GeoAmbiente, de São José dos Campos, com financiamento da Câmara de Compensação Ambiental do estado.

A quarta versão do levantamento – a primeira saiu em 1990 – indicou que as diversas formas de Mata Atlântica e de Cerrado cobrem no máximo 15% da superfície de metade (54%) dos 645 municípios paulistas (ver gráfico abaixo).

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“A pandemia gerou uma rede de colaboração entre cientistas brasileiros sem precedentes”

Fonte: Revista FAPESP

Luiz Leiria, trabalhando em sua casa

Arquivo Pessoal

Desde 2018 estudo novas alternativas de tratamento para doenças metabólicas, como a obesidade, o diabetes e a doença hepática gordurosa não alcoólica, em um projeto no programa Jovens Pesquisadores da FAPESP, e utilizo como alvo terapêutico o tecido adiposo marrom. Ativado pelo frio, esse tecido produz substâncias que ajudam a regular o metabolismo energético e promovem uma melhora da sensibilidade à insulina e da utilização da glicose no fígado e nos músculos. Um dos focos do trabalho é avaliar como o tecido adiposo marrom sintetiza e secreta lipídeos que ajudam a controlar inflamações, os chamados mediadores lipídicos pró-resolução [MLPRs]. 

Assim que surgiram os primeiros artigos mostrando a fisiopatologia da Covid-19, ficou claro que a doença se caracteriza por uma hiperinflamação do tecido pulmonar, sugerindo uma baixa capacidade de resolução desse processo inflamatório. Diabéticos e obesos têm tendência maior a desenvolver as formas mais graves da doença. Sabe-se que, no organismo desses indivíduos, há menor abundância dos MLPRs e também dificuldade em ‘resolver’ processos inflamatórios. Me ocorreu a hipótese de que a escassez desses lipídeos poderia estar comprometendo a capacidade de combater a inflamação nos pacientes com o novo coronavírus. O vírus tem um componente metabólico forte e vi uma oportunidade para trabalhar nisso. Em março, a FAPESP convocou pesquisadores a apresentarem projetos. O Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias [Crid], um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão [Cepid] da FAPESP, que é sediado aqui na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto [FMRP] da USP e do qual sou integrante, começou a se mobilizar e eu decidi apresentar uma proposta para estudar o papel desses lipídeos na tolerância à infecção pelo vírus Sars-CoV-2, que foi aprovada em abril. 

O objetivo é coletar amostras de plasma de pacientes acometidos pela Covid-19 internados no Hospital das Clínicas [HC] da FMRP e medir a gama de lipídeos existentes e abundantes no plasma sanguíneo. É provável que a gente também consiga medir os lipídeos diretamente no tecido pulmonar de pacientes que morrem em decorrência da doença. A ideia é avaliar o sangue de indivíduos com diabetes que desenvolveram as formas grave e leve da doença para poder inferir se os lipídeos ‒ ou a ausência deles ‒ têm um papel na evolução do quadro. Se a hipótese se confirmar, talvez possamos identificar um marcador relacionado aos MLPRs capaz de indicar como será a progressão da doença. Depois de reunir um bom número de amostras, vamos conduzir as primeiras análises em breve e a ideia é começar em agosto experimentos in vitro para identificar quais lipídeos poderiam realmente reverter ou amenizar o quadro inflamatório causado pela doença. Como a sociedade precisa de respostas imediatas, a intenção é publicar os resultados até outubro.

Eu nunca tinha trabalhado com vírus antes, meu campo de interesse é farmacologia e metabolismo. Vários virologistas se incorporaram aos esforços de pesquisa do Crid na pandemia e estão ajudando muito, aliás a pandemia gerou uma rede de colaboração entre cientistas brasileiros sem precedentes. Temos encontros semanais para discutir os projetos sobre a Covid-19. A pandemia está proporcionando uma fase de grande aprendizado. Tenho aprofundado contatos com parceiros internacionais e mantenho uma interação forte com grupos de pesquisadores do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto e em São Paulo [HC-FMUSP], além do Instituto de Biologia da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas], que também estão auxiliando nos nossos projetos sobre a Covid-19.

Eu estava vinculado à Unicamp até o ano passado e me mudei recentemente para Ribeirão Preto depois de passar em um concurso no Departamento de Farmacologia da FMRP. Havia acabado de montar minha equipe – composta por enquanto por um aluno de mestrado e outro de doutorado – quando veio a pandemia. Eu quase não vou à universidade, que interrompeu as atividades presenciais, mas os dois alunos estão frequentando o laboratório para conduzir esse projeto sobre a Covid-19. Os projetos deles tiveram uma pausa enquanto as atividades na USP estão restritas.

A vida da minha família foi bastante afetada. Eu me mudei para Ribeirão Preto em janeiro e estava trabalhando havia apenas dois meses quando a universidade entrou em quarentena. Em casa, a pandemia chegou em um momento em que estávamos construindo uma nova rotina. Minha esposa acabara de começar em um emprego novo e nossos três filhos, de 12, 9 e 7 anos, mal tinham conseguido conhecer os colegas na escola nova quando as aulas foram interrompidas. O fato de as aulas seguirem virtualmente ajuda a mantê-los ocupados, mas a adaptação ficou incompleta e eu preciso acompanhá-los de perto. É mais comum que eles brinquem e se comuniquem on-line com os amigos que tinham em Campinas do que com amigos novos de Ribeirão Preto. Mas tenho tentado aproveitar. Há mais tempo para coordenar as pesquisas relacionadas à Covid-19, escrever artigos e novos projetos, e também tenho me ocupado com a formação da nossa equipe, pois em algum momento retornaremos às nossas pesquisas e pretendo recomeçar com a equipe ampliada e forte.

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A volta do desmatamento – Taxa oficial calculada pelo Inpe aponta 10.129 km2 de área desflorestada na Amazônia em 2019, maior valor desde 2008

Fonte: Revista FAPESP

Léo Ramos Chaves

      <p><span style="font-weight: 400;">A taxa oficial consolidada do desmatamento da Amazônia Legal no ano passado foi de 10.129 quilômetros quadrados (km<sup>2</sup>), 34% maior do que a de 2018 (7.536 km<sup>2</sup>), segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número definitivo, calculado para auxiliar o governo brasileiro a formular eventuais políticas públicas de meio ambiente, é ligeiramente maior do que a taxa preliminar de desmatamento divulgada pelo Inpe em dezembro passado, de 9.762 km<sup>2</sup>. “Essa pequena variação em relação à estimativa que havíamos divulgado está dentro do esperado”, diz o especialista em sensoriamento remoto Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e outros Biomas do Inpe. “Voltamos a passar a barreira psicológica dos 10 mil km<sup>2</sup> de desmatamento anual.”</span></p>

Desde 2008, quando o Prodes contabilizou 12.911 km2  de desflorestamento na região, a taxa não era tão elevada. O sistema começou a registrar o desmatamento na Amazônia Legal em 1988. O ano mais crítico da série histórica foi 1995, quando mais de 29 mil km2  de floresta foram desmatados. O segundo pior ano foi 2004, com mais de 27 mil km2  desflorestados. O chamado ano Prodes inclui dados obtidos entre agosto do ano anterior e julho do ano em questão. Assim, a taxa de desmatamento de 2019 usa informações registradas entre agosto de 2018 e julho de 2019. 

Mais de 40% do desmatamento total na Amazônia Legal do ano passado concentrou-se no Pará, onde a área de vegetação cortada aumentou 52% em relação ao ano anterior. Em 2019, foram suprimidos 4.172 km2 de vegetação nesse estado, ante 2.744 km2 em 2018. Depois do Pará, os estados que mais promoveram o corte de vegetação foram Mato Grosso, Amazonas e Rondônia, que responderam, respectivamente, por 17%, 14% e 12% da área de vegetação suprimida em 2019. Juntos, os quatro estados representaram quase 85% da área desflorestada no ano passado. A taxa anual do Prodes é calculada a partir dos registros por satélite do chamado corte raso em áreas de pelo menos 6,25 hectares (0,0625 km2). O corte raso retira toda e qualquer vegetação existente sobre uma área.

O Inpe também divulgou outro cálculo que mostra o aumento do desflorestamento na Amazônia Legal. É o chamado incremento do desmatamento, igualmente baseado em dados do Prodes, mas abrangendo o corte de vegetação em áreas de qualquer tamanho, inclusive menores que 6,25 hectares. Essa abordagem indica que a área total desmatada em 2019 na Amazônia foi de 10.896 km2. Calculado desde 2008, o incremento tende a ser um pouco maior do que a taxa oficial de desmatamento. Mas os dois números contam a mesma história em linhas gerais. No entanto, o incremento permite monitorar a evolução do corte da vegetação em municípios, unidades de conservação e terras indígenas, filtros que não podem ser adotados no cálculo da taxa anual. “Sabemos exatamente a localização espacial de cada área desmatada”, comenta Almeida.

Tanto nas unidades de conservação como nas terras indígenas, o incremento do desmatamento foi recorde em 2019. Nas unidades, foram cortados 1.110 km2  de vegetação no ano passado, 45% a mais do que em 2019 (767 km2). Criada em 2006 pelo governo do Pará, a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu perdeu 436 km2 de matas e, sozinha, representou 40% do desflorestamento total em unidades de conservação no ano passado. Nas terras indígenas, o desflorestamento atingiu 497 km2, quase o dobro dos 260 km2  de vegetação cortada em 2018 nesse tipo de propriedade. Em 2019, cerca de um quarto dos desflorestamentos em terras indígenas se concentrou na reserva dos Ituna-Itatá, no Pará, nas cercanias da Usina de Belo Monte. Foram desmatados 120 km2, pouco menos de 10% da área total da reserva indígena. A segunda terra indígena mais desmatada, com 85 km2 de vegetação suprimida em 2019, foi a dos Apyterewa, também no Pará.

O preocupante é que os dados dos primeiros cinco meses de 2020 continuam mostrando incremento do desmatamento na Amazônia Legal. Segundo informações do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), outro programa de monitoramento do Inpe, foram desmatados na região de janeiro a maio deste ano 2.034 km2, 34% a mais do que no mesmo período em 2019. “Infelizmente, o desmatamento está fora de controle. O aumento neste ano é muito preocupante porque está ocorrendo antes do término da estação da chuva na Amazônia”, comenta o físico Ricardo Galvão, da Universidade de São Paulo, que foi diretor do Inpe entre 2016 e agosto do ano passado. O grosso do desflorestamento na região normalmente ocorre na época menos úmida, entre fins de maio e outubro. Galvão foi exonerado do cargo no Inpe depois de defender a lisura e a veracidade dos dados de desmatamento produzidos pelo instituto, que haviam sido questionados, sem razão, pelo presidente da República e ministros de estado. 

Os sistemas Prodes e Deter não são os únicos a apontar o recrudescimento recente do corte de vegetação na Amazônia. Monitoramentos feitos por entidades da sociedade civil, como o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), e o MapBiomas Alerta, da organização não governamental MapBiomas, também indicam uma alta do desmatamento na maior floresta tropical do planeta.

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Como prever o espalhamento de uma doença

Fonte: Revista FAPESP

Altay de Souza, epidemiologista e apresentador do podcast Naruhodo!, explica como são construídos os modelos que preveem o avanço do coronavírus.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental.

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– Regularização ambiental,
– Projetos de recuperação de área degradada,
– Projetos de compensação ambiental (restauração ecológica) conforme – Resolução SMA nº 32/2014 e Resolução SMA nº 07/2017,
– PGRCC (Plano de gerenciamento de Resíduos de Construção Civil),
– PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos)
– TCRA (Termo de compromisso de recuperação ambiental), TAC (Termo de ajustamento de conduta), TCA (Termo de compromisso ambiental),
– PCA (Projeto de Compensação Ambiental),
– Relatórios ambientais diversos;
– Perícia ambiental e assistência técnica,
– Processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA,
– Restauração ecológica (Plantio de compensação ambiental),
– Relatórios de monitoramento de plantio e de plantio,
– Plano de Gerenciamento de Risco de Fauna em Área Aeroportuária – CENIPA/CETESB
– Elaboração de PTRDA – DECONT (projeto Técnico de Reparação de Dano Ambiental),
– Processos GRAPROHAB
– Elaboração de documentos técnicos conforme Anexo único da Decisão de Diretoria nº 153/2014/I – MANUAL PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDOS PARA O LICENCIAMENTO COM AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL
– Elaboração de Planta Urbanistica Ambiental,
– Processo de Autorização de corte de árvores isoladas,
– Processos para obtenção de IPTU Verde,
– RAS (Relatório Ambiental Simplificado), Plano de Controle Ambiental (PCA)

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As razões da queda na vacinação – Ao menos nove fatores contribuem para a redução na imunização infantil e aumentam o risco de doenças graves ressurgirem

Fonte: Revista FAPESP

Menina recebe dose de reforço da vacina contra o vírus da poliomielite, que causa a paralisia infantil

Tomaz Silva /Agência Brasil

Em agosto, o Brasil iniciou uma campanha de vacinação infantil em massa contra o sarampo e a poliomielite em meio a um quadro que causa apreensão. As taxas de imunização de crianças contra 17 doenças – entre elas o sarampo – atingiram em 2017 os níveis mais baixos em muitos anos. O Ministério da Saúde e especialistas em imunologia, epidemiologia e saúde pública ouvidos pela reportagem enumeram nove razões para explicar a queda abrupta nos números. Os motivos vão da percepção enganosa de parte da população de que não é preciso vacinar porque as doenças desapareceram a problemas com o sistema informatizado de registro de vacinação. Todas são causas plausíveis e prováveis e possivelmente atuam em conjunto. Elas, porém, ainda não foram quantificadas, o que ajudaria a identificar e a executar ações complementares às campanhas de vacinação para resgatar os níveis de imunização elevados do passado.Baixe o calendário nacional de imunização.

Uma consequência da redução no número de crianças vacinadas se tornou evidente com o surto de sarampo em Roraima e no Amazonas. A taxa de cobertura da tríplice viral, que protege da doença e alcançava 96% das crianças em 2015, baixou para 84% em 2017 e abriu caminho para o retorno da infecção ao país. Transmitido pelo ar, seu causador – um vírus do gênero Morbilivirus – provoca febre alta, mal-estar, tosse persistente, conjuntivite e deixa manchas vermelhas pelo corpo. Ele ataca as células do sistema imunológico e reduz por um período longo as defesas do organismo, favorecendo a ocorrência de infecções secundárias que podem matar. O vírus do sarampo havia sido eliminado do Brasil em 2016 e voltou agora via Venezuela. De fevereiro a 23 de julho, deixou 822 pessoas doentes – foram 272 casos em Roraima, 519 no Amazonas, 14 no Rio de Janeiro, 13 no Rio Grande do Sul, 2 no Pará, 1 em São Paulo e 1 em Rondônia – e causou cinco mortes.

O Ministério da Saúde reconhece a gravidade do problema. A socióloga e epidemiologista Carla Domingues, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do ministério, afirmou em um evento realizado em 26 de julho no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na cidade de São Paulo, que o surto atual de sarampo “evidencia nossas inadequadas coberturas vacinais e a urgente necessidade de melhorá-las”.

Além da queda na aplicação da tríplice viral, que também previne contra caxumba e rubéola, dados divulgados em junho pelo ministério mostraram redução importante em 2016 e 2017 na aplicação de outros nove imunizantes indicados para o primeiro ano de vida. Essas 10 vacinas estão disponíveis gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e protegem de 17 doenças causadas por vírus e bactérias que, até 40 anos atrás, matavam todo ano milhares de pessoas no Brasil ou deixavam parte com danos irreversíveis (ver no quadro como funcionam as vacinas).

Léo Ramos Chaves Algumas vacinas que integram o calendário nacional de imunização e toda criança deve tomarLéo Ramos Chaves

Após permanecer elevada por mais de uma década para alguns imunizantes, a cobertura de seis vacinas despencou de 18 a 21 pontos percentuais em 2017, em comparação com 2015 (ver gráficos). Como resultado, 23% dos quase 3 milhões de crianças que nasceram ou completaram 1 ano em 2017 não haviam recebido proteção completa contra o vírus da poliomielite, que pode provocar paralisia permanente nas pernas e nos braços. Uma proporção semelhante ficou suscetível aos vírus das hepatites A e B, que lesam o fígado, e a bactérias associadas a infecções graves, como tétano, difteria, pertússis (coqueluche) e meningite. Só a vacina BCG, que estimula a produção de defesas contra bactérias que causam formas graves de tuberculose e é aplicada em dose única nas maternidades, atingiu os níveis de imunização recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A cobertura recomendada é de 90% para a BCG e a vacina contra o rotavírus, causador de diarreia severa. Para os demais imunizantes, é de 95%.

“É uma redução alarmante”, afirma o imunologista Jorge Kalil Filho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI), órgão consultivo do ministério que avalia as estratégias do PNI e orienta mudanças no calendário vacinal. “O programa brasileiro é um dos mais bem-sucedidos do mundo. É muito ruim para a imagem internacional do país deixar as taxas de cobertura, que eram próximas de 95%, caírem para cerca de 80%”, afirma o pediatra Alexander Precioso, diretor de ensaios clínicos e farmacovigilância do Instituto Butantan, uma das instituições que produzem no país vacinas, soros e outros compostos imunobiológicos.

Em entrevista à Pesquisa FAPESP em 13 de julho, Carla Domingues relatou que, além do sarampo, outra preocupação atual é o risco de retorno da poliomielite. “A notificação de um possível caso de paralisia causada pelo vírus da pólio na Venezuela em abril causou um susto”, contou. Exames posteriores descartaram, em princípio, o vírus como causador da paralisia em um garoto de 2 anos e 9 meses, segundo boletim de junho da Organização Pan-americana da Saúde (Opas).

Ainda assim, há motivos para inquietação. Os números do ministério indicam que a proporção de crianças brasileiras imunizadas em 2017 contra a poliomielite é a mais baixa desde 2000: em média, 77% delas receberam as três doses injetáveis indicadas para o primeiro ano de vida. “É um problema nacional. A meta de vacinação não foi alcançada em 22 das 27 unidades da federação”, afirma a coordenadora do PNI. Mais grave: 312 municípios brasileiros (44 paulistas) estavam com menos da metade das crianças imunizadas.

Esses dados reforçam a importância da campanha atual, que prevê imunizar 11,2 milhões de crianças com mais de 1 e menos de 5 anos contra pólio e sarampo. “Ela estava planejada desde 2017”, conta a pediatra Helena Sato, diretora-técnica da Divisão de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. “A cada quatro ou cinco anos, repetimos essas campanhas para zerar a proporção de crianças que deixaram de receber a vacinação de rotina.”

Iniciadas em 1980, as campanhas de vacinação em massa contra a pólio tiraram de circulação no país a forma mais agressiva (selvagem) do vírus – o último caso de paralisia infantil causado pelo vírus da poliomielite ocorreu em 1989 na Paraíba. Mesmo assim, elas continuam necessárias. “O vírus selvagem é endêmico no Paquistão, no Afeganistão e na Nigéria e o trânsito internacional de pessoas é grande”, conta Helena.

Quando confirmou a queda na vacinação, o ministério, segundo Carla Domingues, tomou as primeiras medidas: alertou os gestores municipais e as sociedades de especialistas da área da saúde. “Em reunião em 28 de junho com representantes dos estados e dos municípios, falamos do perigo da reintrodução da pólio e cobramos dos gestores municipais estratégias para aumentar a vacinação”, afirma. “Também conversamos com conselhos de classe e sociedades médicas, em especial as de pediatria, imunologia e infectologia, para que chamem a atenção de seus associados para o problema. São os médicos e os outros profissionais da saúde que devem recomendar a vacina.”

São ações iniciais – e tímidas – para lidar com um problema recente e de causas múltiplas, ainda não totalmente equacionadas. Carla Domingues e outros especialistas citam nove razões para justificar a queda na vacinação. Não se conhece, porém, quanto cada uma contribui para o fenômeno. “Ninguém sabe exatamente”, reconhece o epidemiologista Eliseu Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.

O ministério aposta mais em cinco razões: a percepção enganosa dos pais de que não é preciso mais vacinar porque as doenças desapareceram; o desconhecimento de quais são os imunizantes que integram o calendário nacional de vacinação, todos de aplicação obrigatória; o medo de que as vacinas causem reações prejudiciais ao organismo; o receio de que o número elevado de imunizantes sobrecarregue o sistema imunológico; e a falta de tempo das pessoas para ir aos postos de saúde, que funcionam das 8h às 17h só nos dias úteis. Esses motivos são os mais mencionados nos monitoramentos feitos em municípios brasileiros em seguida às campanhas nacionais – no estado de São Paulo foram visitados 58 mil domicílios após a campanha de 2017. “Esses fatores podem interferir na cobertura vacinal, mas não são os únicos”, afirma Carla. “Também identificamos relatos de médicos e outros profissionais da saúde que aconselham as pessoas a não se vacinarem contra as doenças que não existem mais no país.”

Alguns especialistas interpretam a percepção de que não é mais preciso se vacinar como efeito do sucesso das medidas de imunização. No século passado, diferentes estratégias – vacinação de rotina, imunização em massa ou de bloqueio (para conter surtos) – eliminaram a febre amarela urbana em 1942 e a varíola nos anos 1970. Com a criação do PNI em 1973, as ações se tornaram sistemáticas e ajudaram a dar fim à pólio e a reduzir os casos de sarampo, coqueluche, tétano e formas graves de tuberculose.

“Por causa da imunização, não existem mais casos de muitas dessas doenças e passam a prevalecer as notícias de eventos adversos da vacinação, que são raros”, afirma Precioso, do Butantan, membro da Comissão Permanente de Assessoramento em Imunizações do estado de São Paulo. “As novas gerações nunca viram essas enfermidades e não as temem”, conta Kalil, da USP, que teve colegas com pólio nos anos 1960.

A origem do problema, segundo o ministério, não é falta de vacinas, apesar de terem ocorrido reduções temporárias de abastecimento de alguns imunizantes por problemas de produção. “As compras não diminuíram. No Brasil, não há contingenciamento de recursos para a aquisição de vacinas”, afirma Carla Domingues. “O PNI integra uma rubrica do orçamento do ministério que tem execução obrigatória.”

Em 22 anos, o gasto do programa com a compra de imunobiológicos (vacinas, soros e anticorpos) cresceu 44 vezes: de R$ 94,5 milhões em 1995 para R$ 4,2 bilhões em 2017, valor 30% superior ao de 2015 (ver gráfico). No período, aumentou o número de doses adquiridas para abastecer a população, que passou de 160 milhões para 208 milhões, e a diversidade de imunizantes. Hoje o programa atende também jovens e adultos fornecendo 28 vacinas, que estimulam o organismo a produzir defesas contra agentes infecciosos, e 13 soros e quatro anticorpos, que neutralizam diretamente os microrganismos invasores ou compostos tóxicos liberados por eles.

Identificamos relatos de médicos que aconselham as pessoas a não se vacinarem, conta Carla Domingues

“O calendário ficou mais complexo. Eram seis as vacinas para crianças nos anos 1990. Hoje são 14”, conta a médica sanitarista Rita Barradas Barata, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. “Se o pediatra não orienta, as mães não sabem quais delas os filhos devem tomar”, relata a pesquisadora, que realizou quatro inquéritos sobre a cobertura vacinal em cidades brasileiras.

No mais recente, financiado pelo ministério, equipes coordenadas por Rita e seus colaboradores analisaram em 2007 e 2008 a carteira de vacinação de 17.295 crianças com até 1 ano e meio de idade em 26 capitais e no Distrito Federal. Um quarto da população brasileira reside nessas cidades, onde uma em cada cinco crianças não tinha recebido todas as vacinas que deveria, segundo artigo publicado em 2012 no Journal of Epidemiology and Community Health. A proporção de crianças com o esquema de vacinação incompleto era significativamente maior (22,8%) na parcela mais rica do que nos extratos mais pobres (variou de 13,8% a 18,8%). Essa relação aparentemente contraditória – espera-se que pais mais bem informados e com melhor condição financeira tenham mais acesso a vacinas – foi observada em oito capitais, entre elas as três mais populosas: Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. “Nas cidades menores e com rede de assistência pública mais precária, os mais ricos vacinam mais porque moram em bairros com postos de saúde ou têm acesso a clínicas particulares. Nas maiores, a rede pública é mais ampla e mais bem estruturada e os mais pobres se vacinam mais”, conta Rita.

Os níveis de vacinação também parecem depender do vínculo das famílias com o serviço de saúde. Sob a orientação de Waldman, da FSP-USP, a enfermeira Márcia Tauil acompanhou de 2012 a 2014 a cobertura de vacinação de 2.612 crianças de Araraquara, no interior de São Paulo, atendidas no serviço público, no privado ou em ambos. A cidade de 226 mil habitantes foi pioneira no país ao implantar um sistema informatizado de registro de imunização nos anos 1980. No doutorado, concluído em 2017, Márcia verificou que as crianças atendidas apenas nas unidades públicas tinham probabilidade maior de estar com o esquema de vacinação em dia do que as que passavam por atendimento em clínicas privadas ou misto. O motivo? Um vínculo maior com a unidade de saúde. “Nesses serviços, há uma ênfase no treinamento dos profissionais para que incentivem a vacinação”, diz Waldman.

Não se descartam como causas da queda na vacinação a influência de notícias falsas que circulam nas redes sociais e uma incipiente ação de grupos contrários à imunização. Reportagem de maio de 2017 do jornal O Estado de S. Paulo identificou no Facebook cinco grupos brasileiros antivacina com cerca de 13 mil integrantes. “Monitoramos e tentamos dar uma resposta ágil às fake news, mas acreditamos que ainda não existam grupos antivacina estruturados como os do exterior”, conta Carla Domingues. Na Europa e nos Estados Unidos, são mais comuns os grupos que não aderem à vacinação por se embasarem em notícias inverídicas ou alegarem razões religiosas e filosóficas. Estudo publicado em junho na PLOS Medicine relata que, de 2009 a 2016, passou de 12 para 18 o número de estados norte-americanos em que os pais não vacinavam os filhos por razões filosóficas – nesses estados, a proporção de crianças protegidas contra sarampo, caxumba e rubéola era menor do que nos demais.

Os movimentos antivacina ganharam força depois que o cirurgião Andrew Wakefield publicou em 1998 na Lancet, respeitada revista da área médica, um trabalho insinuando que a tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) estaria associada ao autismo. Estudos posteriores refutaram a conexão e mostraram que Wakefield tinha ações de uma empresa que propunha o uso de outra vacina. Sua licença médica foi cassada, mas o estrago estava feito e ressurgiram surtos de sarampo na Europa (ver Pesquisa FAPESP nº 181).

Parte da queda nos números da cobertura vacinal no Brasil também é creditada à mudança no sistema de registro de imunização, iniciada em 2012 e ampliada nos dois últimos anos. No sistema anterior, os profissionais das salas de vacinação registravam em papel cada dose administrada ao longo de quatro semanas. Ao final do mês, consolidavam os dados e os encaminhavam à gerência de vigilância epidemiológica do município, que abastecia o Sistema de Informação do SUS (DataSUS). Para isso, bastava um computador em cada um dos 5.570 municípios conectado à internet.

O Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (Sipni), que substitui o anterior, exigiu a instalação de computadores nas 36,2 mil salas de vacina e o treinamento dos funcionários. O Sipni registra o nome e os dados pessoais de cada indivíduo vacinado e as doses que recebeu. Essas informações ficam disponíveis para salas de vacinação e postos de saúde de todo o país (algo importante para o caso de reações adversas), permitindo recuperar facilmente os dados quando se perde a carteira de vacinação. Também torna possível que Brasília tenha o registro quase em tempo real do número de doses aplicadas. O Sipni está instalado em 24.388 salas de vacinação (67,4% do total) de 5.257 municípios. Há duas modalidades do sistema em operação: a mais recente, on-line, com transmissão de dados em tempo real; e a anterior, versão de desktop, em que o preenchimento é feito off-line e os dados são enviados no fim do mês para o DataSUS. Um dos entraves é a necessidade de constantes aprimoramentos e atualizações da versão desktop nas salas que a utilizam. Também ocorrem problemas de transmissão de arquivos em municípios que usam sistemas informatizados próprios, o que pode ocasionar diferença entre os dados locais e os números consolidados em nível nacional. “Não sabemos qual a contribuição dos problemas no sistema para a queda nos números da cobertura vacinal, mas isso não explica tudo”, afirma Helena Sato, que também integra o CTAI.

Em nota enviada pelo setor de imprensa, o Ministério da Saúde afirma que “tanto os municípios que utilizam o sistema anterior como os que usam o Sipni apresentam baixas coberturas vacinais”. Carla Domingues afirma não ter como saber, a partir do Ministério da Saúde, em Brasília, o que ocorreu em cada cidade do país. As vacinas compradas pelo ministério e enviadas aos estados podem não ter chegado ou ter chegado e os pais não terem levado os filhos para imunizar. Também é possível que tenham chegado, os municípios vacinado e não registrado ou que tenham feito tudo certo sem conseguir enviar os dados para o Ministério da Saúde. “Cada município tem de identificar o que ocorreu”, afirma Carla. “O importante no momento é que haja uma mobilização nacional para resgatar coberturas elevadas e homogêneas.” Em São Paulo, Helena Sato e sua equipe planejam realizar neste ano um estudo detalhado para identificar onde estão as pessoas não vacinadas e medir os fatores que mais influenciam a decisão de não tomar vacina.Treino para o combate

A ação de uma vacina no sistema de defesa do organismo corresponde ao treinamento de um esquadrão de combate. Ela prepara parte desse grupo para identificar o potencial invasor, outra para combatê-lo e uma terceira para reconhecê-lo, caso reapareça.

O sistema de defesa entra em ação quando agentes infecciosos, como vírus ou bactérias, ultrapassam a pele ou as membranas de alguns órgãos e penetram no sangue ou em tecidos do corpo. A infecção ativa inicialmente as células dendríticas, que digerem os invasores e apresentam seus pedaços a outras células, os linfócitos T. Os linfócitos T do tipo CD4 ativam os linfócitos do tipo CD8, que produzem moléculas contra o invasor e células infectadas. Parte dos linfócitos se multiplica e transmite a seus descendentes a capacidade de reconher e combater os invasores. Os linfócitos T se comunicam com os linfócitos B, que produzem anticorpos específicos contra os agentes causadores de doenças ou partes deles.

CDC Garoto recebe nos Estados Unidos vacina contra varíola, erradicada do mundo em 1978CDC

Se o organismo consegue lidar por conta própria com os invasores, por que tomar vacina?

Uma razão é que alguns agentes infecciosos que causam doenças graves e muitas vezes letais, como o vírus do sarampo e da febre amarela ou bactérias que provocam meningite, podem se reproduzir muito mais rapidamente do que o sistema de defesa é capaz de combatê-los. Nesses casos, o sistema de defesa precisa de ajuda externa, como antibióticos ou antivirais. Em alguns casos, porém, esses medicamentos podem não funcionar.

A vacina, ao causar uma versão bem mais branda da infecção, que não deve prejudicar o organismo, prepara o sistema imune para agir mais rapidamente e impedir a multiplicação do invasor.

A primeira vacina foi desenvolvida no final do século XVIII pelo médico inglês Edward Jenner (1749-1823) contra a varíola, infecção letal e deformante que matou milhões de pessoas no século XX. A vacinação em massa eliminou a varíola do mundo na década de 1970.

As cerca de 60 vacinas aprovadas para uso humano protegem contra 26 doenças graves causadas por vírus ou bactérias. A cada ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essas formulações evitam a morte de 2 milhões de crianças de até 5 anos. Podem ser produzidas com vírus ou bactérias enfraquecidos ou versões menos agressivas; outras usam o agente infeccioso morto ou parte dele. “A princípio, seria possível obter vacina contra qualquer agente infeccioso”, afirma o imunologista brasileiro Gabriel Victora, professor da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos. “Por diversas razões, no entanto, ainda não se conseguiu desenvolver vacinas contra muitos vírus e bactérias agressivos nem contra protozoários, como os causadores da malária.”

Baixe o calendário nacional de imunização.

Projeto
Cobertura vacinal e fatores associados à vacinação incompleta em município de médio porte, estado de São Paulo, Brasil (nº 14/11714-7); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisador responsável Eliseu Alves Waldman (FSP-USP); Beneficiária Márcia de Cantuária Tauil; Investimento R$ 109.950,44.

Artigos científicos
BARATA, R. C. et al. Socioeconomic inequalities and vaccination coverage: Results of an immunization coverage survey in 27 Brazi­lian capitals, 2007-2008. Journal of Epidemiology and Community Health. v. 66, n. 10, p. 934-41. out. 2012.
OLIVE, J. K. et al. The state of the antivaccine movement in the United States: A focused examination of nonmedical exemptions in states and counties. PLOS Medicine. On-line. 12 jun. 2018.Republicar

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental.

Para informações:

Bióloga Blanche Sousa Levenhagen e Gestor Ambiental Ricardo Savarino Levenhagen
Fones: (11) 99440 3848 / 99191 2710
blanche@ecobioconsultoria.com.br
ricardo @ecobioconsultoria.com.br
http://www.ecobioconsultoria.com.br

Desenvolvemos diversos serviços na área ambiental. Dentre eles estão:
– Laudos de fauna com forme Decisão de Diretoria CETESB nº 167/2015,
– Laudo de Caracterização de Vegetação, conforme Resolução CONAMA 01/94;
– Levantamento cadastral arbóreo conforme legislação municipal e – Decisão de Diretoria CETESB nº 287/2013
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– PGRS (Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos)
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– Plano de Gerenciamento de Risco de Fauna em Área Aeroportuária – CENIPA/CETESB
– Elaboração de PTRDA – DECONT (projeto Técnico de Reparação de Dano Ambiental),
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Coronavírus: como seria o mundo se todos os vírus desaparecessem?

Por: Rachel Nuwer – BBC Future*BBC News Brasil29 de junho de 2020

Fonte:
https://br.noticias.yahoo.com/coronav%C3%ADrus-como-seria-o-mundo-205453126.html

Virus
As coisas boas que os vírus fazem superam as más, segundo o epidemiologista Tony Goldberg

Diante de uma pandemia, pode-se pensar que os vírus existam com o único propósito de criar caos na sociedade e de fazer a humanidade sofrer.

Eles ceifaram um número incalculável de vidas durante milênios, eliminando com frequência grandes setores da população mundial, desde a epidemia de influenza de 1918 que matou entre 50 e 100 milhões de pessoas aos 200 milhões que morreram de varíola só no século 20.

A atual pandemia de covid-19 é só mais uma de uma série de contínuos e intermináveis ataques virais.

Se existisse a possibilidade de fazê-los desaparecerem com uma varinha mágica, a maioria das pessoas provavelmente abraçaria essa oportunidade, ainda mais agora.

No entanto, seria um erro fatal — mais letal, na verdade, do que poderia ser qualquer vírus.

“Se todos os vírus desaparecessem repentinamente, o mundo seria um lugar maravilhoso por cerca de um dia e meio, e logo morreríamos. Esse seria o resultado final”, diz Tony Goldberg, epidemiologista da Universidade de Wisconsin-Madison.

“Todas as coisas essenciais que eles fazem no mundo superam em muito as más.”

Visão equilibrada

A grande maioria dos vírus não são agentes patogênicos para os humanos, e muitos cumprem um papel importante na manutenção dos ecossistemas.

Outros mantêm a saúde de organismos individuais, desde fungos e plantas até insetos e humanos.

“Vivemos em um equilíbrio perfeito” e os vírus são parte disso, diz Susana López Charretón, virologista da Universidade Nacional Autônoma do México.

“Acho que estaríamos acabados sem os vírus.”

Océano
Os vírus contribuem para manter o equilíbrio dos ecossistemas

A maioria das pessoas não tem consciência do papel que os vírus desempenham na manutenção de grande parte da vida na Terra, porque temos a tendência de focar apenas nos problemas que eles causam à humanidade.

Quase todos os virologistas estudam apenas os agentes patogênicos; só recentemente uns poucos pesquisadores intrépidos começaram a investigar os vírus que nos mantêm vivos e também o nosso planeta, em vez de nos matar.

“É um pequeno grupo de cientistas que tentam dar uma visão justa e equilibrada do mundo dos vírus e mostrar que existem vírus bons”, diz Goldberg.

Cientistas têm certeza de que, sem os vírus, a vida no planeta, tal como a conhecemos, deixaria de existir.

E mesmo que quiséssemos, provavelmente seria impossível aniquilar todos os vírus da Terra. Mas ao imaginar como seria o mundo sem eles, podemos entender melhor não só o quão importantes eles são para a nossa sobrevivência como também quanto temos que aprender ainda com sobre eles.

Quantos existem?

Para começar, não se sabe nem sequer quantos vírus existem. Milhares foram classificados formalmente, mas podem ser milhões.

“Descobrimos apenas uma fração porque ainda não buscamos muito”, diz Marilyn Roossinck, ecologista de vírus da Penn State University, nos Estados Unidos.

“É apenas um viés — a ciência só tem se interessado por agentes patogênicos.”

Paisagem
Há milhões de vírus desconhecidos no mundo que a ciência só agora está começando a descobrir

Os pesquisadores ainda nem sabem qual o percentual total de vírus que são problemáticos para os seres humanos.

“Se você pensa numericamente, (o percentual) estaria estatisticamente perto de zero”, diz Curtis Suttle, virologista ambiental da Universidade de British Columbia.

“Quase todos os vírus que andam por aí não são agentes patogênicos para as coisas que mais importam.”

Chave para os ecossistemas

O que sabemos é que os fagos — os vírus que contaminam bactérias — são extremamente importantes.

Seu nome vem do grego phagein, que significa devorar. E é isso que eles fazem.

“São os maiores predadores do mundo bacteriano”, diz Goldberg.

“Os fagos são os reguladores primários das populações bacterianas no oceano e provavelmente em muitos ecossistemas do planeta também.”

Se os vírus desaparecessem de repente, algumas populações bacterianas cresceriam desproporcionalmente; outras poderiam ser vencidas e deixarem de crescer por completo.

Isso seria particularmente problemático nos oceanos, onde mais de 90% de toda a vida é bacteriana.

Océano
Os fagos são encarregados de manter o equilíbrio da vida bacteriana nos oceanos

Esses micróbios produzem cerca da metade do oxigênio do planeta, um processo facilitado pelos vírus.

Estes vírus matam, por dia, cerca de 20% de todos os micróbios oceânicos, e cerca de 50% de todas as bactérias oceânicas.

Ao eliminar os micróbios, os vírus garantem que o plâncton produtor de oxigênio tenha nutrientes suficientes para sustentar altas taxas de fotossíntese, a qual, em última instância, permite que se mantenha grande parte da vida na Terra.

“Se não existe morte, então não existe vida, porque esta depende completamente da reciclagem de materiais”, explica Suttle.

“Os vírus são importantes em termos de reciclagem.”

Poucas espécies

Pesquisadores que estudam pragas de insetos descobriram que os vírus são críticos para o controle de população de espécies. Se uma determinada espécie cresce em excesso “aparecerá um vírus e os eliminará”, explica Roossinck.

Este processo, chamado de “matar o vencedor” (“kill the winner”, em inglês), é comum entre outras espécies, incluindo a nossa, como mostram as pandemias.

“Quando as populações se tornam muito abundantes, os vírus precisam se replicar muito rapidamente e reduzem a população, criando espaço para que tudo mais possa viver”, diz Suttle.

Se os vírus desaparecessem, é provável que as espécies competitivas floresceriam em detrimento das demais.

Biodiversidade
Devemos agradecer aos vírus pela biodiversidade do planeta

“Rapidamente perderíamos muita da biodiversidade do planeta”, diz Suttle. “Umas poucas espécies tomariam controle e expulsariam o resto.”

Alguns organismos também dependem dos vírus para sobreviver, ou que lhes forneçam alguma vantagem em um mundo competitivo.

Cientistas acreditam, por exemplo, que os vírus cumprem um papel importante em ajudar as vacas e outros ruminantes a transformar a celulose do pasto em açúcares que podem se metabolizar e, em última instância, se transformar em massa corporal e leite.

Também acreditam que os vírus são fundamentais para manutenção de um microbioma são nos humanos e em outros animais.

“Ainda não se entende isso muito bem, mas estamos encontrando mais e mais exemplos de que esta interação próxima é uma parte crítica dos ecossistemas, seja no sistema humano ou ambiental”, explica Suttle.

Roossinck e seus colegas descobriram evidências concretas que apoiam esta teoria.

Em uma pesquisa, eles examinaram um fungo que coloniza um tipo específico de pasto no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Eles descobriram que o vírus que infecta esse fungo permite que o pasto se torne tolerante às temperaturas geotermais do solo.

“Quando os três estão ali — o vírus, o fungo e a planta — a planta pode crescer em solos realmente quentes”, diz Roossinck. “O fungo sozinho não faz isso.

Parque Nacional Yellowstone
Os vírus permitem que o pasto que cresce no Parque Nacional Yellowstone possa aguentar altas temperaturas geotermais

A pesquisadora e sua equipe descobriram que as plantas e o fungo passam o vírus de geração em geração. Ainda que não entendam exatamente a função que isso cumpre, eles assumem que os vírus, de alguma maneira, devem estar ajudando seus anfitriões.

“Se não fosse assim, para que eles ficariam nas plantas?”, pergunta Roossinck. Se todos esses vírus benignos desaparecessem, as plantas e os outros organismos que as alojam ficariam mais fracos ou morreriam.

Proteção para os humanos

Infecções com certos vírus benignos podem ajudar inclusive a proteger os humanos de alguns agentes patogênicos.

O vírus GB-C, um agente não-patogênico que é parente próximo do vírus do Nilo Ocidental e da dengue, está ligado à progressão tardia da aids nas pessoas com HIV.

Cientistas descobriram também que o vírus GB-C faz com que as pessoas contaminadas com ebola sejam menos propensas a morrer.

Da mesma maneira, a herpes faz com que os ratos sejam menos suscetíveis a certas infecções bacterianas, incluindo a peste bubônica e a listeria (um tipo comum de intoxicação alimentar).

Os autores suspeitam que suas descobertas em roedores se aplicam a seres humanos.

Enquanto infecções com vírus de herpes “são vistas unicamente como de agentes patogênicos”, dizem os pesquisadores, os dados mostram que a herpes entra na verdade em uma “relação simbiótica” com seu anfitrião, dando a ele benefícios imunológicos.

Sem vírus, nós e outras espécies poderíamos ser muito mais inclinados a morrer de outras doenças.

Tratamentos

Os vírus são também um dos agentes terapêuticos mais promissores para tratar certas doenças. A fagoterapia utiliza o vírus para atacar infecções bacterianas.

Virus
A fagoterapia utiliza o vírus para tratar infecções bacterianas

Este é um campo que agora, com a crescente resistência aos antibióticos, está começando a crescer.

“Muitas vidas estão sendo salvas usando o vírus onde os antibióticos estão falhando”, diz Suttle.

Cientistas também estão estudando os vírus oncolíticos, aqueles que infectam e destroem seletivamente as células cancerígenas, como um tratamento menos tóxico e mais eficiente contra o câncer.

Como eles se replicam e sofrem mutações constantemente, os vírus contam com um repositório massivo de inovações genéticas que outros organismos podem incorporar.

Os vírus se replicam inserindo-se dentro das células anfitriãs e sequestrando suas ferramentas de replicação.

Se isso acontece em uma linha germinal (óvulos e esperma), o código viral pode passar de geração para geração e se integrar permanentemente.

“Todos os organismos que podem ser infectados por vírus têm a oportunidade de absorver genes virais e usá-los a seu favor”, explica Goldberg.

“A inserção do novo DNA em genomas é um grande modo de evolução.”

O desaparecimento dos vírus, em outras palavras, impactaria o potencial evolutivo de toda a vida no planeta, incluindo o Homo sapiens.

Os elementos virais representam aproximadamente 8% do genoma humano e os genomas dos mamíferos em geral incluem cerca de cem mil restos de genes que se originam a partir de vírus.

O código viral se manifesta em geral como peças inertes de DNA, mas às vezes cumprem funções novas e úteis — inclusive essenciais.

Em 2018, por exemplo, equipes de pesquisadores fizeram, de forma independente entre si, uma descoberta fascinante.

Um gene de origem viral codifica uma proteína que desempenha um papel-chave na formação da memória de longo prazo, movendo informações entre células no sistema nervoso.

O exemplo mais impactante, no entanto, tem a ver com a evolução da placenta dos mamíferos e no momento em que se expressam os genes na gravidez humana.

Gravida
A gravidez humana também poderia ser resultado do efeito dos vírus há milhões de anos

As evidências sugerem que somos vivíparos graças a um código genético que foi cooptado de antigos retrovírus que infectaram nossos antepassados há mais de 130 milhões de anos.

Como disseram os autores do estudo publicado em 2018 na revista científica PLOS Biology: “É tentador especular que a gravidez humana seria muito diferente — talvez inexistente — se não fosse por eras de pandemias retrovirais que afetaram nossos ancestrais”.

Especialistas acreditam que estas marcas distintas ocorrem em todas as formas de vida multicelular.

“Provavelmente existem muitas funções que desconhecemos”, afirma Suttle.

Cientistas acreditam que só começamos agora a descobrir como os vírus ajudam a sustentar a vida, porque acabamos de começar a estudá-los.

Em última instância, quanto mais aprendemos sobre todos os vírus, não só dos agentes patogênicos, melhor equipados estaremos para utilizar alguns vírus em nosso benefício e desenvolver defesas contra outros que poderiam dar lugar a uma próxima pandemia.

Mais que isso, aprender mais sobre a riqueza da diversidade viral nos ajudará a entender com mais profundidade como funcionam o nosso planeta, o ecossistema e nossos corpos.

Como disse Suttle: “Precisamos dedicar nossos esforços para tratar de entender o que há lá fora para o nosso próprio benefício”.

*Esta reportagem foi publicada originalmente na BBC Future. Clique aqui para ler a versão original.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental.

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