O outro evolucionista

Fonte: Revista FAPESP

Contribuinte menos conhecido da teoria da evolução, Alfred Wallace esteve entre 1848 e 1852 na Amazônia, onde coletou espécimes, escreveu e desenhou

Aldeia às margens do rio Negro retratada pelo naturalista


Em abril de 1848, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace (1823-1913), que viria a ser conhecido por seus estudos sobre seleção natural, deu início à primeira grande aventura de sua vida. Munido de algumas economias guardadas durante os anos em que trabalhou como agrimensor para a pequena empresa de um irmão, no Reino Unido, ele e o amigo Henry Walter Bates (1825-1892), com quem dividia o interesse pela botânica e entomologia, embarcaram no porto de Liverpool com destino a Belém, no Pará. Eles não sabiam ao certo o que iriam encontrar. “Existia uma ou outra descrição de europeus que haviam viajado pela Amazônia, mas grande parte do território permanecia inexplorado e suscitava curiosidade entre os estrangeiros”, diz a historiadora Carla Oliveira de Lima, que estudou a viagem de Wallace ao Brasil em tese de doutorado defendida na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, em 2014.

Até os 25 anos, quando iniciou a expedição pela Amazônia, Wallace trabalhou com agrimensura e aritmética, disciplinas que ele chegou a ensinar em uma escola. Além disso, estudava, como autodidata, botânica e zoologia. A leitura de algumas publicações foi importante na preparação da viagem. Em sua autobiografia, Wallace menciona a influência do livro A voyage up the river Amazon (Uma viagem pelo rio Amazonas, 1847), do naturalista e escritor norte-americano William Edwards, com descrições vívidas de anacondas, piranhas e insetos. Ele também conhecia os trabalhos de Charles Darwin (1809-1882).

Wallace desenhou moradores dos lugares que conheceu, como Nazaré, próxima a BelémViagem pelo Amazonas e Rio Negro. CIA Editora Nacional, 1939, Biblioteca FD-USP

“O ardente desejo de visitar uma região tropical, para contemplar a exuberância de vida, tanto animal como vegetal, que dizem existir ali, e ver, com os meus próprios olhos, todas as maravilhas que tanto me deliciavam, quando eu lia as descrições feitas pelos viajantes que as contemplaram, foram os motivos que me induziram a romper a trama de meus negócios e partir para ‘alguma terra bem distante, onde reina um sertão constante’”, escreveu Wallace em seu livro Viagens pelo Amazonas e rio Negro, publicado em 1853, em Londres.

No relato, Wallace registrou e fez descrições minuciosas de espécies de aves, peixes, insetos e plantas que encontrou durante as expedições realizadas ao longo dos quatro anos em que permaneceu na região. O naturalista notou também que a distribuição geográfica de determinadas espécies e as barreiras naturais, como os rios, podem afetar a presença e o comportamento dos animais. Anos depois, em uma expedição ao arquipélago malaio, entre 1854 e 1862, Wallace iria aprofundar esses estudos, dando origem a trabalho em que intuiu a teoria sobre evolução dos seres vivos. Em março de 1858, o naturalista enviou uma carta de apresentação a Darwin com o artigo “Sobre a lei que regula a introdução de novas espécies”, pedindo sua opinião. O texto resumia parte das ideias presentes na teoria da evolução, sobre a qual Darwin vinha trabalhando havia 20 anos. As duas monografias foram apresentadas ainda em 1858 em uma sessão da Linnean Society de Londres, importante centro de estudos de história natural do Reino Unido. No ano seguinte, Darwin publicou A origem das espécies. Quando Wallace retornou da Malásia à Inglaterra a primazia darwinista já estava estabelecida.

A maior parte do material coletado no Brasil pelo britânico se perdeu no naufrágio do navio que o levava do Brasil para o Reino UnidoWikimedia Commons

“A viagem do naturalista britânico à Amazônia foi fundamental para que ele estabelecesse o início das concepções sobre a distribuição dos seres vivos, que se revelou essencial para a elaboração da teoria da evolução”, observa a historiadora Ana Maria Alfonso-Goldfarb, do Centro Simão Mathias de Estudos em História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). De acordo com a pesquisadora, Wallace foi um dos primeiros a estabelecer estudos modernos sobre a distribuição geográfica dos animais e plantas e sua relação com o meio ambiente e deixou importantes registros da diversidade de espécies da Amazônia.

A maior parte do trabalho do naturalista era coletar espécimes e classificar espécies animais e vegetais – sua estadia no Brasil foi financiada com recursos obtidos por meio da venda a colecionadores europeus do material retirado da Amazônia. A intermediação era feita por seu agente, o comerciante inglês Samuel Stevens (1817-1899), que teria igualmente ajudado a publicar artigos escritos por Wallace. Boa parte dos exemplares e textos foi enviada para a Europa por navios mercantes.

Peças de uso cotidiano: ralador de mandiocaViagem pelo Amazonas e Rio Negro (CIA Editora Nacional, 1939, Biblioteca FD-USP

O naturalista passou dois anos na região da bacia do rio Negro, entre 1850 e 1852. A essa altura da viagem, Wallace e Bates já haviam seguido caminhos separados. “A impressão que se tem é de que eles desejavam cobrir o máximo possível de território e coletar espécies em locais diferentes”, diz Alfonso-Goldfarb.

Nos quatro anos em que andou pelo Norte do Brasil, Wallace descreveu e fez centenas de ilustrações de peixes, aves, árvores, cidades, fazendas e pessoas comuns. “Seus relatos sobre o modo de vida local e a interação com a população ainda não foram suficientemente estudados por pesquisadores brasileiros”, diz Carla Lima. “Ele teve uma sensibilidade ímpar para captar as minúcias das relações de poder entre fazendeiros, comerciantes, escravos e demais integrantes da sociedade brasileira da época.”

CigarreiraViagem pelo Amazonas e Rio Negro (CIA Editora Nacional, 1939, Biblioteca FD-USP

Wallace tinha reconhecido talento para o desenho e a produção de mapas.“A precisão dos desenhos em conjunto com as descrições que fez permitiram a identificação de um grande número de espécies por ele coletadas, mesmo sem a presença dos exemplares ”, diz a bióloga Mônica de Toledo-Piza Ragazzo, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). Ela conheceu as publicações que citavam o trabalho do naturalista em relação aos peixes da bacia do rio Negro quando fazia seu doutorado na City University of New York e no Museu de História Natural da mesma cidade, em 1994. No ano seguinte, a pesquisadora visitou o Museu de História Natural de Londres, onde estão guardados os originais dos 212 desenhos de peixes da bacia do rio Negro, que nunca haviam sido corretamente publicados, como o naturalista esperava, segundo carta enviada por ele ao museu ao fazer a doação, em 1904. Mônica então reuniu as ilustrações e anotações em um livro bilíngue, Peixes do rio Negro, publicado em 2002 pela Edusp e Imprensa Oficial. “O cuidado e a precisão com que Wallace fez os desenhos é algo que até hoje impressiona o meio científico”, afirma.

Os 212 desenhos quase desapareceram completamente quando Wallace voltou ao Reino Unido vindo de Belém, em 1852. O navio em que ele viajava incendiou-se. Wallace foi até sua cabine e pegou uma pequena caixa de metal com desenhos, cadernos com anotações e algumas camisas antes de correr para o bote salva-vidas. Toda sua coleção de animais e plantas, além de muitos outros desenhos, guardados no porão do navio, foram perdidos. O trabalho que restou de sua passagem pelo Brasil foi que havia sido vendido para colecionadores europeus. Outro motivo de tristeza aconteceu anos antes, quando seu irmão mais novo, Herbert, que havia se juntado a ele em 1849, contraiu febre amarela e morreu.

Wallace publicou mais de 20 livros e manteve uma relação de amizade com Darwin até o falecimento deste, em 1882. O naturalista morreu aos 90 anos, em 1913.

Livros
WALLACE, A. R. Viagens pelo Amazonas e rio Negro. Brasília: Senado Federal, 2004.
WALLACE, A. R.; RAGAZZO, M. de T.-P.(org.). Peixes do rio Negro. São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial, 2002.


Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.

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Microplástico é encontrado em animais no fundo dos oceanos

Fonte: site AmbienteBrasil

Ao menos 5 trilhões de materiais plásticos estão flutuando nos oceanos
Ao menos 5 trilhões de materiais plásticos estão flutuando nos oceanos

Pesquisadores britânicos descobriram micropartículas de plástico no intestino de animais que habitam algumas das regiões oceânicas mais profundas da Terra, mostrando que a poluição humana não se limita à superfície dos mares e já atingiu os locais mais inacessíveis do planeta.

A maior parte dos estudos existentes sobre poluição plástica se limita a avaliar áreas de superfície devido aos altos custos da exploração do fundo dos oceanos. As pesquisas demonstraram que a contaminação por plástico é generalizada tanto em peixes quanto em tartarugas, baleias e pássaros marítimos. Mas uma equipe de pesquisadores da Universidade de Newcastle descobriu casos de ingestão de plástico por pequenos camarões vivendo em seis das regiões oceânicas mais profundas do planeta. O estudo foi publicado no Royal Society Open Science nesta quarta-feira (27/02). Na Fossa das Marianas, a leste das Filipinas, 100% dos animais estudados tinham fibras de plástico em seu trato digestivo. A Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos terrestres, localizada a 11 quilômetros da superfície oceânica. Entre todos os animais coletados nas seis regiões avaliadas pelos pesquisadores, 72% haviam ingerido ao menos uma micropartícula de plástico. “Parte de mim estava esperando encontrar alguma coisa, mas essa descoberta foi enorme”, disse Alan Jamieson, da Universidade de Newcastle. A equipe de Jamieson costuma procurar novas espécies nas profundidades do oceano, mas quando percebeu ter acumulado dezenas de unidades de um pequeno tipo de camarão que vive numa faixa entre 6 e 11 quilômetros abaixo da superfície, decidiu procurar evidências de consumo de plástico. A equipe descobriu que a contaminação nas profundezas dos oceanos é generalizada, tendo atingido tanto a Fossa do Peru-Chile, no sudeste do Pacífico, quanto a Fossa do Japão, que ficam a 15 mil quilômetros uma da outra. “Está na região do Japão, da Nova Zelândia, do Peru, e cada fossa é extremamente profunda”, disse Jamieson. “(O plástico) é encontrado consistentemente em animais em todas as profundezas extraordinárias do Pacífico, então não vamos perder tempo em concluir: ele está em toda parte.” Antes do estudo conduzido pela equipe de Jamieson, a localização mais profunda em que partículas de microplástico haviam sido encontradas no estômago de seres vivos foi a 2,2 quilômetros da superfície do Atlântico Norte. Os microplásticos, que medem entre 0,1 micrômetro e cinco milímetros, confundem os animais marinhos porque têm tamanho semelhante ao de pequenas presas ou partículas de comida, facilitando assim sua entrada na cadeia alimentar. Algumas partículas resultam de processos industriais e são diretamente liberadas nos oceanos por meio de esgotos ou rios. Outras se originam da decomposição de materiais plásticos de maiores dimensões. Não está claro se as partículas encontradas pelos cientistas da Universidade de Newcastle foram ingeridas por peixes em profundidades mais rasas que morreram e depois afundaram. Os pesquisadores acreditam, contudo, que as fibras de plástico possuem muitos anos de idade. Muitas parecem pertencer a tecidos de roupas, como nylon. “Mesmo se nem uma única fibra entrasse no mar a partir de agora, tudo que já está no oceano vai afundar em algum momento. Uma vez que esse material entra no oceano profundo, qual seria o mecanismo para trazê-lo de volta?”, perguntou Jamieson. “Estamos empilhando todo o nosso lixo no lugar sobre o qual temos menos conhecimento.” Cerca de 322 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente no planeta, enquanto ao menos 5 trilhões de materiais plásticos, com peso equivalente a 250 mil toneladas, estão flutuando nos oceanos. Fonte: Deutsche Welle Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.
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Segredos da floresta

Fonte: Revista FAPESP

Com abordagem multidisciplinar, livro resgata lendas e registros de naturalistas para revelar aspectos pouco conhecidos da Amazônia

Araponga | Junção dos termos ará + ponga = pássaro sonante. Presente no Pará e no Amazonas, a ave conhecida por vocalização semelhante a um sino, e por isso mesmo denominada ferrador e ferreiro, existe também nas Guianas e na Venezuela. O macho (à direita, na imagem) é completamente branco. Sobre o pássaro, escreveu o naturalista Emílio Goeldi (1859-1917), em 1894: “Também ali entoa a Araponga sua cantilena de ferreiro, que se representa qual martelo manejado violentamente muitas vezes sem conta, mas com intensidade decrescente, repelido e atraído pela bigorna”

A despeito de a primeira expedição “científica” à maior floresta tropical do mundo ter sido registrada no século XVIII, a Amazônia segue cercada de mistérios. Não poderia ser diferente se considerarmos, por exemplo, sua dimensão. São cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados cobrindo territórios localizados em nove países. Com 60% da floresta em áreas brasileiras, o bioma está presente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Embora a ciência ainda não consiga descrever ou explicar boa parte do que lá existe, não é pouco o conhecimento acumulado sobre a floresta, como atesta o acervo da biblioteca do Museu Paraense Emílio Goeldi. Foi lá que a biblioteconomista Olímpia Reis Resque garimpou as preciosidades que compõem Amazônia exótica: Curiosidades da floresta (Empíreo), que permitem conhecer um pouco melhor a região, considerada desde 2000 Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo volume de uma trilogia iniciada em 2011, os 57 verbetes que compõem o livro são resultado do empenho da pesquisadora da história da Amazônia em revelar detalhes de espécies muito utilizadas pela população local. “Foi a forma que encontrei de divulgar não apenas nossa fauna e flora, mas também nosso acervo”, conta. Bibliotecária da instituição durante 35 anos, Resque iniciou sua trajetória profissional no próprio museu, como estagiária, quando ainda cursava a Universidade Federal do Pará. Não demorou a perceber que ali não lhe faltaria informação. Com 300 mil volumes, entre revistas e livros disponíveis ao público, e mais 3 mil obras raras, a biblioteca Domingo Soares Ferreira Penna, fundada no século XIX, reúne o maior acervo sobre a Amazônia do país. “Depois de 40 anos frequentando diariamente o museu, ainda me surpreendo com a coleção, que é riquíssima. Entro no acervo para procurar um livro e encontro outro, que nunca tinha visto”, conta.

Múltiplos olhares
Como indicam os breves registros que exemplificam esta reportagem, no livro há informações de distintas perspectivas. Organizadas em ordem alfabética das espécies selecionadas, revelam a etimologia das palavras, priorizam relatos de naturalistas e reproduzem lendas e curiosidades dos habitantes da floresta. Além da bibliografia consultada, que inclui raridades como Pátria selvagem, a floresta e a vida, mythos amazônicos: Os escravos vermelhos, publicado no início do século XIX por Alexandre de Mello Moraes Filho (1844-1919), o livro apresenta um glossário de termos regionais, como caruana (gênio do bem) e paul (pântano), e breve biografia de meia centena de viajantes que passaram pela região, com destaque para uma única mulher. Lendo a obra, descobre-se que a artista botânica inglesa Margaret Mee (1909-1988) iniciou sua primeira expedição à Amazônia aos 47 anos de idade e manteve contato com a população local durante as três décadas seguintes.

Parte das imagens que ilustram o livro foi extraída do acervo do museu e de sua coleção de obras raras. Algumas aquarelas foram pintadas por artistas locais contemporâneos e há ilustrações de sites como o Plant Illustrations. Encantada com o espaço reservado ao feminino no imaginário de povos indígenas e comunidades ribeirinhas, no último volume da trilogia Resque pretende explorar a figura da mãe. “Na Amazônia, para tudo existe uma mãe”, diz. “Jaci é mãe da lua, Coaraci, a mãe do sol. Para os povos da floresta, a mata é a mãe dos bichos e não pode ser desrespeitada.”

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.

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Licenciamento recorde de novos agrotóxicos

Fonte: Site Globo Natureza

Enquanto no andar de cima a palavra de ordem é “libera geral”, multiplicam-se os fatores de risco à saúde e ao meio ambiente.

Por André Trigueiro, G1

21/02/2019 09h15  Atualizado há 22 horas

Brasil está consumindo agrotóxicos já proibidos em vários países — Foto: Divulgação

Brasil está consumindo agrotóxicos já proibidos em vários países — Foto: Divulgação

Sem estardalhaço, com os espaços mais nobres do noticiário tomados por sucessivas tragédias, passou despercebida a notícia de que o atual governo autorizou em seus primeiros 47 dias de existência, 54 novos agrotóxicos no mercado, o que dá uma média superior a um novo produto licenciado por dia. O Ministério da Agricultura alega que todos os ingredientes já eram comercializados no Brasil, e que a novidade seria a aplicação desses produtos em novas culturas, o sinal verde para que novos fabricantes possam comercializá-los, e que novas combinações químicas entre eles sejam permitidas. A julgar pelas explicações dadas pelo ministério, ninguém deveria ficar preocupado. Acoberta-se assim – mais uma vez – a apreensão que acompanha já há algum tempo vários técnicos (alguns do próprio governo), em relação à forma como o Brasil vem se tornando o paraíso do setor químico com 2.123 (número válido até o fechamento desta edição) agrotóxicos licenciados.

Sempre discreta, longe dos holofotes, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, cumpre aquilo que se espera de quem, no ano passado, no comando da Frente Parlamentar da Agropecuária, liderou o rolo compressor da bancada ruralista na aprovação do chamado “Pacote do Veneno”. A aprovação do PL 6299/2002 em uma comissão especial do Congresso abriu caminho para a tramitação de um pacote que, na prática, reduz drasticamente as atribuições do Ibama (meio ambiente) e da Anvisa (saúde) no processo de licenciamento desses produtos. O texto aprovado confere ao Ministério da Agricultura poderes sem precedentes para autorizar a comercialização de agrotóxicos no Brasil.

Em favor da flexibilização da lei – o “Pacote do Veneno” ainda não foi votado em plenário – os ruralistas dizem que o processo usual de licenciamento dessas “moléculas” (como a ministra prefere chamar) costuma levar anos, prejudicando a produção. O grande problema é a distância que separa o gabinete da ministra do Brasil real. Enquanto no andar de cima a palavra de ordem é “libera geral”, multiplicam-se os fatores de risco à saúde e ao meio ambiente.

Um dos exemplos da farra na pulverização de veneno nas lavouras vem dos exames realizados em amostras de alimentos consumidos pela população. A Fundação Oswaldo Cruz abriga o mais importante laboratório federal de análises de substâncias químicas presentes nos alimentos, ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mais de 30 alimentos costumam ser periodicamente analisados por lá. Para surpresa dos pesquisadores, em algumas amostras é possível encontrar até 15 princípios ativos de diferentes agrotóxicos, o que indica uma brutal desinformação do agricultor que está usando “bala de canhão para matar uma mosca”.

“Quem determina quais produtos químicos os agricultores devem usar, e em quais dosagens, é o varejista”, afirma uma fonte da Embrapa. Além de não dispor do conhecimento técnico necessário para indicar a melhor resposta para todas as situações, o vendedor ainda recebe comissão pelas vendas desses produtos químicos. Curiosamente, o próprio relator do “Pacote do Veneno”, deputado Luís Nishimori (PR-Paraná), esteve à frente de duas empresas que vendiam agrotóxicos (Nishimori Agricultura e Mariagro Agrícola Ltda.), mas, segundo ele, à época da votação, as empresas estariam “desativadas”. Em tempo: o conflito de interesses no Congresso alcança de forma avassaladora vários parlamentares ligados ao agronegócio, mineração, indústria das armas, etc.

Outro motivo de preocupação é a instrução normativa nº 40 da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (lançada no ano passado) que deu plenos poderes aos engenheiros agrônomos para determinarem livremente misturas de diferentes agrotóxicos para a produção de receitas de acordo com cada situação. Ou seja, deu-se carta branca para que estes profissionais inventem novas receitas químicas sem que os efeitos dessa mistura sobre a saúde ou o meio ambiente sejam devidamente conhecidos. “Empoderamos os engenheiros agrônomos”, disse então o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Uma tragédia silenciosa sobre a qual nem a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e muito menos o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se pronunciaram até agora é a elevada mortandade de abelhas no Brasil em eventos associados à pulverização de agrotóxicos. O registro mais recente de desastre vem do Rio Grande do Sul, onde a Associação dos Apicultores Gaúchos contabiliza a perda de 6 mil colmeias nos últimos meses, inviabilizando a entrega de 150 toneladas de mel. “Claro que tem outras causas de mortes, mas em 80% das análises das abelhas mortas, foi constatado algum tipo de agrotóxico presente”, afirmou ao G1 o tenente Edelberto Ginder, da Patrulha Ambiental da Brigada Militar de Santa Rosa.

O prejuízo dos apicultores é apenas a ponta do iceberg. O maior problema – já visível em vários países – é o impacto sobre a polinização de alimentos. Estima-se que o trabalho realizado de graça pelas abelhas tenha um valor econômico equivalente a 10% da produção agrícola mundial. No Brasil, mais de 50 milhões de toneladas de produtos agrícolas dependem diretamente da polinização. Alguns cálculos dão conta de que a morte contínua das abelhas pode significar quase 50 bilhões de reais de prejuízos para a agricultura brasileira.

O assunto é tão grave e urgente que para proteger as abelhas, a União Europeia decidiu no ano passado proibir o uso de agrotóxicos claramente associados a mortandade do inseto. No Brasil, nada sugere que algo parecido venha a acontecer. Alguns produtos proibidos na Europa – como os neonicotinoides, inseticidas derivados da nicotina – continuam sendo pulverizados em larga escala por aqui.

Outro problema amplamente diagnosticado no Brasil é a pulverização de venenos por aviões, sem que se respeitem os protocolos básicos de segurança como evitar a dispersão dos agrotóxicos em sobrevoos muito altos ou quando haja vento forte. A chuva de veneno fora do perímetro das lavouras com impactos sobre a saúde das comunidades próximas e a biodiversidade vem sendo documentada há anos, sem a devida resposta do poder público. Há pouco mais de um ano, na maior operação de combate às práticas criminosas de pulverização irregular por aeronaves, nada menos que 48 aviões foram interditados nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná. A Operação Deriva II resultou na aplicação de R$ 8,2 milhões em multas que, como se sabe, resultam em processos intermináveis sem prejuízo efetivo para os infratores. Aeronaves não autorizadas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pulverização de agrotóxicos proibidos por lei no Brasil ou com prazos de validade vencidos são infrações comuns. Não se sabe quando será a próxima operação ou por que elas acontecem de forma tão espaçada.

Uma cena da novela “Velho Chico”, de Benedito Ruy Barbosa, exibida em 2016 pela TV Globo, ilustra bem o que parece ser o pensamento de uma parcela dos produtores rurais que aplicam agrotóxicos de forma irresponsável em suas lavouras. Na fazenda de Afrânio (Antonio Fagundes), as plantações de manga recebem cargas monumentais de veneno. Maria Tereza (Camila Pitanga), filha de Afrânio, fica horrorizada com o que vê. E dá a ordem aos funcionários: “Podem parar com isso. Todos vocês”. Eles dizem que devem continuar, mas ela é taxativa: “Que pare o mundo se for preciso. Eu não quero mais uma só manga sendo colhida encharcada”. Maria Tereza colhe uma fruta do pé e segue irritada até o escritório do pai. Lá chegando, cobra dele uma explicação: “Pai, o que é isso? O senhor está encharcando a manga de veneno. Muito mais do que o necessário. Isso não está certo. Pode dar problema”. O pai olha com ar de desdém para a filha e responde sem afetação: “É daí? Eu não planto pra comer. Eu planto pra vender”.

O Brasil merece comer o que se planta sem sustos, sem riscos, sem que o interesse privado se sobreponha ao interesse público.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.




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20% do avanço agrícola de 2000 a 2014 foi sobre vegetação nativa, diz estudo

Fonte: site Direto da ciência

Crescimento de plantações sobre áreas naturais no Cerrado foi 2,4 vezes maior do que na Amazônia no período.

As áreas cobertas por plantações dobraram no Brasil entre 2000 e 2014, e pelo menos 20% dessa expansão agrícola ocorreu sobre vegetação nativa, segundo um novo estudo realizado por cientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Nesse período, a conversão de áreas naturais em plantações foi maior no Cerrado: 2,4 vezes mais que na floresta amazônica, de acordo com a pesquisa.

Os pesquisadores utilizaram a análise detalhada de um grande banco de dados de imagens de satélites para realizar o estudo “Near doubling of Brazil’s intensive row crop area since 2000”, publicado no fim de dezembro de 2018 na revista científica PNAS.

Do total de novas áreas abertas para plantações no Brasil no período estudado, 79% ocuparam antigos pastos, enquanto 20% avançaram sobre áreas de vegetação natural, de acordo com Viviana Zalles, primeira autora do estudo.

“Ainda assim, a destruição da vegetação original foi grande, especialmente no Cerrado, onde a conversão de vegetação natural em plantações foi cerca de 2,4 vezes maior que na floresta amazônica”, disse a pesquisadora a Direto da Ciência.

Embora o aumento percentual das áreas de cultivo tenha sido bem maior na Amazônia que no Cerrado (704% e 81%, respectivamente), a expansão da agricultura sobre áreas naturais foi de 1,18 milhões de hectares (Mha) no primeiro bioma e de 2,64 Mha no segundo, como mostra o quadro a seguir.

O Cerrado foi o bioma que ganhou mais áreas de novas plantações no período – 10,5 Mha, o equivalente a 52% da expansão agrícola total no país. As áreas plantadas passaram de 13 Mha para 23,5 Mha entre 2000 e 2014. O cultivo substituiu 2,6 Mha de áreas naturais e 7,74 Mha de pastos antigos.

Já na Amazônia, 3,7 Mha foram ocupados por novas plantações. As áreas cultivadas passaram de 460 mil hectares em 2000 para 4,16 Mha em 2014. As novas plantações substituíram 1,1 Mha de áreas naturais e 2,6 Mha s de pastos antigos.

Em todo o Brasil, a área de cultivo intensivo no Brasil passou de 26 Mha em 2000 para 46,5 Mha em 2014, representando um aumento de quase 79%. Nos 20,5 Mha ocupados por novas plantações, o cultivo substituiu as áreas naturais em 4 Mha e avançou sobre pastos em 16,3 Mha. Pouco mais de 1% da área total de expansão agrícola ocupou áreas onde anteriormente havia árvores plantadas para exploração de madeira.

Segundo Viviana, os resultados do estudo sugerem que as políticas públicas de uso do solo no Brasil contribuíram para frear a expansão da fronteira agrícola sobre a floresta amazônica – e isso também explicaria o maior avanço das plantações sobre áreas naturais do Cerrado, que não possui as mesmas proteções ambientais.

“Por outro lado, vemos que a partir de 2006 a expansão agrícola permaneceu baixa na Amazônia, enquanto aumentava fortemente na região do Cerrado, onde as proteções ambientais são reduzidas. É bem possível que isso (a redução na Amazônia) não tivesse acontecido sem a moratória da soja.

Convergência de resultados

As principais conclusões dos pesquisadores americanos – como a escala do crescimento das áreas agrícolas no país, o avanço predominante sobre as pastagens e o impacto proporcionalmente maior sobre os ambientes naturais do Cerrado – são coerentes com os números obtidos pelo Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil (MapBiomas), realizado por pesquisadores brasileiros ligados ao Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima.

“O MapBiomas corrobora esses achados. Houve, mesmo durante aqueles anos, no Brasil, um aumento muito grande da área dedicada à agricultura, que é o carro-chefe da economia do país. E, de fato, houve grande expansão sobre os pastos”, disse Ane Alencar, pesquisadora responsável pelas pesquisas sobre o cerrado no MapBiomas.

“Mesmo no Cerrado, a expansão sobre pastagens foi muito grande – 7,7 Mha, cerca de 74% do aumento de áreas agrícolas no bioma. Mas ali o avanço das áreas agrícolas de modo geral foi enorme e, sem dúvida, foi o bioma que sofreu mais impactos”, disse a Direto da Ciência a pesquisadora, que é diretora de Ciências do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

Boa notícia

Para a pesquisadora brasileira, o estudo dos EUA traz uma boa notícia ao sugerir que o Brasil pode ter aumentado muito sua área de produção agrícola sem aumentar o desmatamento. “É uma mensagem muito importante do estudo: é possível desenvolver a agricultura e a economia sem desmatar”.

Segundo Viviana, apesar da melhor situação atual da Amazônia, em comparação ao Cerrado, não é possível afirmar que a expansão agrícola hoje não cause danos à floresta amazônica.

“Antes de 2006 ou 2007, a destruição da floresta era a principal fonte de novas áreas agrícolas na Amazônia. Só depois disso as plantações começaram a substituir pastos, em vez de floresta. No entanto, quando as plantações substituem os pastos atuais, novas áreas de pastagem precisam ser criadas para substituir a terra que foi perdida. Assim, é possível que mais florestas sejam devastadas para abrir espaço para novos pastos”, explicou.

Ela afirma ser possível que o impacto da expansão agrícola na Amazônia tenha se tornado um processo de múltiplos estágios: as florestas são derrubadas para abertura de novos pastos, mais tarde as plantações substituem antigos pastos e, por fim, novos pastos substituem mais áreas florestais.

“Um fator que pode mitigar esse processo é a intensificação cada vez maior do uso de pastos e plantações no Brasil, incluindo a integração de ambas as atividades em diversas escalas. O aumento da produtividade por unidade agropecuária já está em curso e provavelmente terá um impacto futuro nas taxas de mudança de uso da terra”, disse.

Na imagem acima, área do Cerrado ocupada por cultura agrícola em Goiás. Foto: Nivaldo Ferri/Emater/GO.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.

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Espécie descoberta no Sul é um dos dinossauros carnívoros mais antigos do mundo

Fonte: Revista FAPESP

Encontrado em Santa Maria, réptil tinha pouco mais de 1,5 metro de comprimento e viveu há 233 milhões

Representação artística, onde um Nhandumirim waldsangae se depara com um pequeno cinodonte Alemoatherium huebneri, que pode ser sua próxima presa

Um dos mais antigos dinossauros carnívoros do mundo, Nhandumirim waldsangae, um pequeno bípede que viveu há 233 milhões de anos na área onde atualmente se encontra o município gaúcho de Santa Maria, foi descrito ontem (14/02) na versão eletrônica do Journal of Vertebrate Paleontology. O fóssil da nova espécie, incompleto e bastante fragmentado, foi descoberto há sete anos por uma equipe de paleontólogos da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele foi encontrado no mesmo nível estratigráfico da unidade geológica conhecida como Formação Santa Maria em que foram achados dois outros dinossauros que estão entre os mais antigos do mundo: Saturnalia tupiniquim, descoberto na década de 1990, e Staurikosaurus pricei, coletado nos anos 1930. Ou seja, os três devem ter vivido mais ou menos no mesmo período, na Idade Carniana do Triássico Superior.

“Não é possível dizer qual deles era o mais antigo”, explica o paleontólogo Max Langer, da USP, um dos autores do estudo. “Os fósseis de Saturnalia e da nova espécie foram encontrados na mesma localidade a 4 ou 5 metros de distância um do outro.” Também assinam o artigo científico pesquisadores das universidades federais de Santa Maria, de Minas Gerais (UFMG) e de Pernambuco (UFPE) e da Universidade de Birmingham, do Reino Unido. Praticamente todos os dinossauros com idade superior a 230 milhões de anos saíram de escavações feitas no Sul do Brasil ou na Argentina, que parece ser o mais provável berço desses répteis extintos. Há apenas uma exceção, Nyasasaurus parringtoni, um herbívoro que teria vivido há 245 milhões onde hoje fica a Tanzânia, na África Oriental. No entanto, a classificação do Nyasasaurus – cujo fóssil não se encontra bem preservado – como dinossauro não é consensual entre os especialistas.

Representação esquemática dos ossos preservados do esqueleto de Nhandumirim waldsangaeVoltaire Paes

O nome científico Nhandumirim waldsangae remete às características anatômicas e ao local em que foi achado o fóssil da espécie, pertencente a um exemplar juvenil, não adulto. Na língua tupi, nhandu significa ema, uma referência à semelhança geral que os dinossauros bípedes apresentavam com as chamadas aves ratitas, que não voam. O termo mirim, também de origem tupi, quer dizer pequeno, alusão ao porte modesto do animal, com no máximo 1,5 metro de comprimento. Já o termo waldsangae faz referência ao sítio paleontológico Waldsanga, às vezes também denominado cerro da Alemoa, onde esse e outros importantes fósseis de Santa Maria foram encontrados. “Descobrimos o fóssil quando, durante um trabalho de coleta em fevereiro de 2012, um colega pisou em uma falange no afloramento”, recorda-se o paleontólogo Júlio Marsola, primeiro autor do artigo científico, que tratou da nova espécie em seu doutorado, defendido na USP em 2018.

Por se tratar de um fóssil bastante incompleto, composto basicamente de ossos do tronco e da pata esquerda do réptil, e oriundo de um exemplar não adulto, que, portanto, ainda não terminou de crescer, os pesquisadores tiveram alguma dificuldade de classificar a nova espécie entre as primeiras linhagens conhecidas de dinossauros. “Os fósseis de espécimes juvenis podem apresentar diferenças significativas em relação ao adulto”, pondera Marsola. No entanto, algumas características anatômicas identificadas em Nhandumirim, sobretudo na região do tornozelo, levaram os paleontólogos a colocá-lo dentro do grupo dos terópodes, carnívoros bípedes que, posteriormente, deram origem a dinossauros muito conhecidos, como Tyrannosaurus rex Velociraptor mongoliensis, além das aves. “Se estivermos corretos, Nhandumirim deve ser o terópode mais antigo que viveu em terras hoje situadas no Brasil”, comenta Langer, cujos estudos são financiados por um projeto temático da FAPESP. A espécie Eodromaeus murphi,encontrada na Formação Ischigualasto, no noroeste da Argentina, é outro terópode com idade superior a 230 milhões de anos, que disputa com a nova espécie o posto de dinossauro carnívoro mais antigo do mundo.

Projeto
A origem e irradiação dos dinossauros no Gondwana (Neotriássico – Eojurássico) (nº 14/03825-3); Pesquisador responsável Max Langer (USP); Modalidade Projeto Temático; Investimento R$ 1.959.890,17.

Artigo científico
MARSOLA, J.C. A. et alA new dinosaur with theropod affinities from the Late Triassic Santa Maria Formation, South BrazilJournal of Vertebrate Paleontology. 14 fev. 2019.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.

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Escolhas alimentares de hoje afetam saúde das pessoas e do planeta de amanhã

Fonte: site AmbienteBrasil

Transformar dietas e a maneira com a qual produzimos alimentos têm amplo potencial de melhorar tanto a saúde humana quanto a sustentabilidade ambiental no futuro. A conclusão é de novo relatório da Comissão EAT-Lancet, lançado na terça-feira (5) na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e produzido por ONU Meio Ambiente e Missão Permanente da Noruega.

O relatório afirma que “se mudarmos a maneira com a qual produzimos, consumimos, transportamos e desperdiçamos alimentos, podemos alimentar todos com uma dieta saudável e melhorar a saúde do planeta”.

Feirante em Bangladesh. Foto: Banco Mundial/Scott Wallace
Feirante em Bangladesh. Foto: Banco Mundial/Scott Wallace

Transformar dietas e a maneira com a qual produzimos alimentos têm amplo potencial de melhorar tanto a saúde humana quanto a sustentabilidade ambiental no futuro. A conclusão é de novo relatório da Comissão EAT-Lancet, lançado na terça-feira (5) na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e produzido por ONU Meio Ambiente e Missão Permanente da Noruega.

A conclusão é de novo relatório da Comissão EAT-Lancet, lançado na terça-feira (5) na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, e produzido por ONU Meio Ambiente e Missão Permanente da Noruega.

O chefe do escritório da ONU Meio Ambiente em Nova Iorque, Satya Tripathi, destacou que foi em seu país natal, a Índia, que surgiu o conceito de “você é o que você come”.

“Não é apenas sobre alimento, é sobre processos, é sobre o que isso resulta”, afirmou, dizendo que esta “sabedoria antiga” foi “cientificamente articulada de maneira muito poderosa” no relatório, que mostra “a ciência, os números e os dados do que você precisa fazer para ser saudável”.

O relatório afirma que há um imenso desafio enfrentado pela humanidade para “fornecer à população mundial crescente dietas saudáveis com sistemas alimentares sustentáveis”.

Embora a produção de calorias esteja crescendo no mesmo ritmo da população global, mais de 820 milhões de pessoas não têm acesso suficiente a alimentos, têm dietas de baixa qualidade ou simplesmente comem demais.

“Uma transformação radical do sistema alimentar global é urgentemente necessária”, destacou o relatório. Sem uma transformação, o mundo não só corre risco de fracassar em cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Acordo de Paris para o clima, mas também de deixar como legado para as crianças de hoje degradação ambiental, população, má nutrição e doenças evitáveis.

Gunhild Stordalen, fundadora e chefe-executiva da Fundação EAT, disse no evento de lançamento do relatório que, embora o acesso a alimentos seja um desafio presente em quase toda a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, eles também possuem “superpoderes”.

“O poder dos alimentos é completamente sobre conexões”, afirmou. “As ligações entre pessoas e o planeta estão em todos os lugares, mas em nenhum lugar estas conexões são mais óbvias ou as sinergias são mais numerosas do que em nossos pratos e ao longo do sistema alimentar”.

Ressaltando que o abastecimento de alimentos saudáveis será uma questão marcante para o século 21, o relatório fornece um “mapa” científico para um futuro saudável e sustentável, mostrando que “se mudarmos a maneira com a qual produzimos, consumimos, transportamos e desperdiçamos alimentos, podemos alimentar todos com uma dieta saudável e melhorar a saúde do planeta”.

O ator e ativista norte-americano Alec Baldwin alertou que a humanidade está “causando mudança climática global e que, se não agirmos, será nossa ruína”.

Ele pediu para todos olharem os “objetivos mutualmente alcançáveis” de fornecimento de alimentos e segurança ambiental, dizendo que precisamos mudar prioridades agrícolas para melhorar o uso das terras que já temos e reduzir drasticamente a produção de carnes.

“Se mudarmos para dietas ricas em plantas, podemos ajudar a salvar o planeta”, afirmou Baldwin. Transformar o sistema alimentar também pode diminuir riscos de câncer, infartos e diabetes e evitar 11 milhões de mortes de adultos por ano.

Para a migração para uma dieta saudável, o relatório sugere que o mundo dobre o consumo de frutas, vegetais, legumes e cereais, enquanto reduz a pelo menos metade o consumo de carne vermelha e açúcares.

“O maior desafio que enfrentamos é influenciar comportamento humano, você não pode banir o consumo de carne… você pode colocar uma luz” sobre causas e efeitos, concluiu Baldwin.

A EAT é uma organização global sem fins lucrativos criada com parceiros para catalisar uma transformação do sistema alimentar.

Fonte: ONU

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Tragédia da Vale põe em xeque pressão política por licença ambiental rápida e simples

Fonte: site AmbienteBrasil

Trabalho dos bombeiros em Brumadinho
Mesmo após o ocorrido em Brumadinho, mudanças no processo de licenciamento ambiental seguem na pauta – mas com propostas de regras diferentes para a mineração

O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG) – que deixou, até a última atualização, 165 mortos e 160 desaparecidos – não deve inibir os esforços do setor produtivo por mudanças que acelerem e simplifiquem o processo de licenciamento ambiental.

A pauta é uma das prioridades da indústria e do agronegócio, que argumentam haver um excesso de burocracia na liberação de licenças atravancando o desenvolvimento do país. A percepção é compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Já ambientalistas e acadêmicos temem que a flexibilização gere mais desastres. Eles dizem que a demora nos processos de licenciamento reflete o sucateamento de órgãos ambientais e cobram mais recursos para a área.

Para neutralizar as pressões contrárias que ganham peso após a tragédia em Brumadinho, segmentos interessados na simplificação defendem que sejam criadas regras diferenciadas para o setor de mineração. Dessa forma, minas e barragens estariam sujeitas a normas mais rígidas que atividades agropecuárias ou obras de infraestrutura.

Há diversas propostas em discussão no Congresso, mas a que ganha mais atenção dos setores produtivos é o projeto de lei 3.729/2004, que busca criar a Lei Geral do Licenciamento Ambiental.

Um caderno de propostas para a área ambiental elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) durante a eleição de 2018 defende a aprovação desse projeto “no mais curto prazo possível”.

Floresta de eucalipto
Deputado Newton Cardoso Júnior, cuja família tem investimentos no setor madeireiro, defende que fazendas de eucalipto sejam dispensadas de qualquer licenciamento quando o cultivo ocorrer em áreas rurais já consolidadas ou já degradadas pela ação humana

A “articulação política” para aprovação dessa lei também aparece como segundo ponto de uma lista de reivindicações que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou ao ministro Ricardo Salles dia 23 de janeiro, dois dias antes do rompimento da barragem em Brumadinho.

A expectativa de Rodrigo Justus, assessor técnico de Meio Ambiente da FPA, é que as mudanças no licenciamento ambiental voltem a ser debatidas no primeiro semestre e sejam aprovadas na segunda metade do ano na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

“O texto que hoje se encontra (em discussão no Congresso) tem um guarda-chuva para grandes empreendimentos que têm potencial poluidor, mas não tinha um capítulo específico para mineração. Com certeza isso será necessário. Eu acredito que não tem como fugir dessa discussão”, afirmou à reportagem.

Uma das principais lideranças da bancada ruralista no Congresso, o deputado Newton Cardoso Júnior (MDB-MG) tenta incluir no PL 3.729/2004 que fazendas de eucalipto sejam dispensadas de qualquer licenciamento quando o cultivo ocorrer em áreas rurais já consolidadas ou já degradadas pela ação humana. Ele argumenta que a atividade pode ter licenças simplificadas porque não apresenta riscos à vida humana como mineração ou grandes obras. Sua família tem investimentos no setor de eucalipto.

“Eu acredito que temos ambiente propício para tratar dessa matéria, mas desde que o setor mineral seja expurgado da regra (simplificada). Temos que ter um capítulo específico para o setor mineral e outro para projetos de infraestrutura que possam causar riscos para a população “, disse.

“Autolicenciamento”

O projeto de lei 3.729/2004, que já há tramita há quinze anos no Congresso, pode criar um arcabouço legal unificado para o país. Hoje, há uma lei federal que prevê quais as competências de licenciamento da União, dos Estados e dos municípios, mas não há um marco que dê diretrizes gerais a serem seguidas pelas resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e pelas leis estaduais e municipais.

Abertura das atividades da Câmara dos Deputados em 2019
Expectativa de assessor técnico é que as mudanças no licenciamento ambiental sejam aprovadas na segunda metade do ano na Câmara (foto) e no Senado

Entre os pontos polêmicos incluídos no projeto está a previsão da “licença ambiental por adesão e compromisso”, que possibilita uma espécie de licenciamento automático quando os impactos de determinada atividade já são conhecidos e o empreendedor se compromete com requisitos e condicionantes ambientais estabelecidos previamente pelas autoridades.

Seus defensores afirmam que ela seria aplicada apenas a atividades de baixo impacto, mas os críticos ressaltam que a proposta que vem tramitando não fixa critérios claros para essa classificação, podendo abrir uma “guerra” de flexibilização ambiental entre Estados e municípios.

O ministro Ricardo Salles tem defendido em entrevistas o “autolicenciamento”, mas sem detalhar de que forma seria aplicado.

“É lógico que o licenciamento deve ser mais rigoroso quanto maior forem os impactos previstos. O que não se pode fazer é dispensar de licença ou fazer um sistema automático como pretende a bancada ruralista”, crítica Maurício Guetta, advogado e diretor do Instituto Socioambiental (ISA).

Ele ressalta que há propostas em andando no Congresso para agilizar também o licenciamento de empreendimentos complexos de infraestrutura, como o projeto de lei do Senado 654/2015, que permite ao Poder Executivo escolher obras consideradas estratégias a serem licenciadas em prazos mais curtos.

Sua expectativa é que a tragédia de Brumadinho aumente a mobilização da sociedade contra as tentativas de flexibilizar o licenciamento. Foi por meio de um processo simplificado que a Vale obteve em dezembro autorização do governo de Minas Gerais para ampliar as atividades do complexo Paraopeba, que inclui a mina Córrego do Feijão, cuja barragem se rompeu em 25 de janeiro. Uma redução na classificação do potencial poluidor do complexo permitiu que as licenças prévia, de instalação e operação fossem avaliadas de uma única vez.

A consultora legislativa Suely Araújo, presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) no governo Michel Temer, considera que a tragédia de Brumadinho não vai impedir que o debate ocorra no Congresso. Ela entende ser possível adotar simplificações no caso de empreendimentos com riscos e impactos pequenos, desde que se preserve o rigor técnico e o controle governamental.

“Eu sou favorável à aprovação de uma lei geral de licenciamento, a questão é qual o conteúdo. Não pode virar a lei da não licença. Uma lista daquilo que não tem licença seria uma deturpação”, ressaltou.

Área de plantio de soja no Mato Grosso
Entre os pontos polêmicos do projeto está a previsão da “licença ambiental por adesão e compromisso”, similar a um licenciamento automático quando os impactos de determinada atividade já forem conhecidos

Comunidades atingidas podem ser ignoradas

Araújo destaca também a importância de garantir que populações afetadas sejam ouvidas no processo de licenciamento, principalmente quando os impactos previstos são maiores.

Outro ponto que tem sido criticado por ambientalistas no PL 3.729/2004 é a dispensa de consulta à Funai (Fundação Nacional do Índio) quando o empreendimento em análise afetar áreas cuja delimitação de território indígena ainda está em estudo. Além disso, a bancada ruralista deseja que, nos casos de terras já reconhecidas, a opinião do órgão não seja “vinculante” (de aplicação obrigatória pela autoridade ambiental).

O texto do projeto de lei já passou por várias versões. Nenhuma delas trouxe medidas para melhorar o processo de consulta às comunidades afetadas pelas obras ou atividades econômicas durante o processo de licenciamento, crítica o professor da Escola Politécnica da USP Luis Enrique Sánchez.

“Estamos muito atrás de outros países nessa área”, nota ele, que é autor do livro “Avaliação de Impacto Ambiental”, referência no estudo de licenciamento no Brasil.

Além da falta de pessoal e estrutura suficiente nos órgãos envolvidos, Sánchez também atribui a demora dos licenciamentos a estudos de impacto ambiental deficientes apresentados pelos empreendedores às autoridades.

“As propostas (de mudança no licenciamento) passam ao largo dessas questões e se concentram principalmente em tentativas de reduzir os prazos de resposta dos órgãos ambientais”, crítica.

Na sua avaliação, o “enfraquecimento muito grande da legislação” pode gerar ainda mais judicialização nos processos de licenciamento.

Normais estaduais já vêm sendo questionadas pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal. No próximo mês, está previsto o julgamento da constitucionalidade de uma lei do Amapá que estabelece licença ambiental única para diversas atividades econômicas. Outra ação, ainda sem previsão de julgamento, tenta cancelar a possibilidade de licença por adesão e compromisso adotada na Bahia.

Procurada pela BBC News Brasil, a Confederação Nacional da Indústria não indicou porta-voz para responder sobre as críticas ao projeto de lei apoiado pela entidade.

Por meio de nota, disse que “o setor industrial trabalha pela modernização do marco regulatório e para aumentar a segurança jurídica do processo”, medidas que considera “imprescindíveis para gerar um melhor ambiente de negócios e atrair investimentos para o país”. Na visão da CNI, isso “não significa que o licenciamento deva ser feito de maneira irresponsável”.

Fonte: BBC

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.


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Dengue pode gerar imunidade contra zika – Estudo apresenta novas evidências de que infecção prévia pelo primeiro vírus pode gerar anticorpos que inviabilizam a ação do segundo no organismo humano

Fonte: Revista FAPESP

Um grupo internacional de pesquisadores, entre eles brasileiros de diversas instituições, identificou novas evidências de que uma infecção prévia pelo vírus da dengue pode gerar imunidade contra o vírus causador da zika. A conclusão foi apresentada em um estudo publicado nesta quinta-feira (7/2) na revista Science. De acordo com o trabalho, o organismo de quem já teve dengue produziria anticorpos capazes de impedir que o vírus zika penetre nas células e desencadeie uma infecção.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram dados de um amplo estudo envolvendo 1.453 moradores da favela de Pau de Lima, em Salvador, Bahia. Sabe-se que aquela comunidade convive com o vírus da dengue há pelo menos 30 anos e foi uma das principais áreas afetadas pelo zika na epidemia de 2015.

Amostras de sangue coletadas antes, durante e depois de a epidemia se instalar na região foram submetidas a um ensaio para medir a resposta de um anticorpo produzido pelo sistema imune, a imunoglobulina G3 (IgG3), contra a NS1, proteína do zika encontrada na corrente sanguínea logo nos primeiros dias após a infecção.

Os pesquisadores encontraram sinais de IgG3 em 73% das amostras colhidas em outubro de 2015, no auge da epidemia de zika na região. Isso sugere que as pessoas em Pau de Lima tiveram bastante contato com o vírus transmissor da doença à época. Algumas, no entanto, não foram infectadas. Os pesquisadores, então, analisaram as amostras de sangue colhidas antes do início do surto de zika, em março de 2015. Ao analisá-las, identificaram que alguns indivíduos tinham níveis bem elevados de anticorpos contra o vírus da dengue.

Os resultados levaram os pesquisadores a inferirem que múltiplas exposições ao vírus da dengue teriam protegido as pessoas contra o zika. “Nossos achados sugerem que cada duplicação dos níveis de anticorpos contra dengue corresponde a uma redução de 9% no risco de infecção pelo zika”, explica o médico brasileiro Ernesto Azevedo Marques, do Departamento de Microbiologia e Doenças Infecciosas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo na Science. O trabalho também envolveu a participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de São José do Rio Preto (Famerp), em São Paulo, além do Departamento de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco e da Flórida, ambas nos Estados Unidos.

Cultura de células infectadas pelo vírus zika em laboratório do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP)Léo Ramos Chaves

Marques esclarece que os dois vírus integram a família dos flavivírus e são geneticamente muito semelhantes. Por causa dessa semelhança, pensava-se que a infecção prévia por dengue pudesse gerar quadros mais graves de febre zika, parecidos com os que ocorrem na dengue hemorrágica, quando a pessoa que já havia tido a doença é infectada por outro subtipo do vírus.

“Nesses casos, os anticorpos que o sistema imune produz da primeira vez contra um dos subtipos do vírus da dengue — são quatro no total — não neutralizam os outros de modo eficiente”, afirma o brasileiro, que também é pesquisador associado do Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Recife, Pernambuco. “No caso da dengue, a infecção por um subtipo gera uma reação cruzada contra as outras variedades do vírus, o que pode facilitar a sua entrada nas células do sistema de defesa, nas quais ele se reproduz, aumentando o número de suas cópias e a gravidade da infecção.”

Do mesmo modo, imaginava-se que a imunização parcial que favorece o agravamento da dengue também pudesse facilitar a infecção por zika. O virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e um dos autores do trabalho, lembra que no início da epidemia vários estudos in vitrodemonstraram que os anticorpos antidengue facilitavam a infecção por zika por meio de um mecanismo chamado facilitação mediada por anticorpos (ADE, na sigla em inglês).

“Esse mecanismo seria responsável por quadros mais graves de febre zika”, destaca Nogueira, que coordenou um estudo publicado em 2017 na Clinical Infectious Diseases que indicou que, em seres humanos, uma infecção prévia por dengue não leva necessariamente a quadros mais graves de zika (ver Pesquisa FAPESP nº 257). Ambos são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.

Segundo Nogueira, agora, no estudo publicado na Science, não apenas foi demonstrado que o fenômeno ADE não ocorre, como que as pessoas que haviam se infectado pela dengue e desenvolveram altos níveis de anticorpos sequer se contaminaram pelo zika durante o surto de 2015.

No estudo, os pesquisadores também identificaram contrastes epidemiológicos dentro da própria comunidade. Em algumas áreas de Pau de Lima, todos os moradores se contaminaram com o vírus zika. Em outras, nenhum caso foi registrado.

“Ainda não sabemos como foi a dinâmica da epidemia nessa região e no nordeste como um todo”, comenta Marques. Também não se sabe o efeito de uma infecção prévia pelo vírus da dengue nos casos de infecção por zika em gestantes. “Existem estudos em andamento investigando essa questão”, diz.

Artigo científico
RODRIGUEZ-BARRAQUER, Isabel et alImpact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic regionScience. v. 363, n. 6427, p. 607-10. fev. 2019.

Projetos
1.
 Estudo epidemiológico da dengue (sorotipos 1 a 4) em coorte prospectiva de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil, durante 2014 a 2018 (nº 2013/21719-3); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Temático; Pesquisadorresponsável Maurício Lacerda Nogueira (FAMERP); InvestimentoR$ 3.140.949,88.
2. Estudo clínico-epidemiológico em coorte prospectiva de gestantes infectadas pelo vírus Zika em São José do Rio Preto (nº 2016/15021-1); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Pesquisa em Políticas Públicas para o SUS; Pesquisadorresponsável Maurício Lacerda Nogueira (FAMERP); InvestimentoR$ 190.821,53.

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB, Plano de Controle Ambiental (PCA) e Relatório de Controle Ambiental.

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Polinização é ameaçada por desmatamento e agrotóxicos no Brasil

Fonte: Site AmbienteBrasil

Das 191 plantas cultivadas ou silvestres utilizadas para a produção de alimentos no Brasil, com processo de polinização conhecido, 114 (60%) dependem da visita de polinizadores, como as abelhas, para se reproduzir. Entre esses cultivos estão alguns de grande importância para a agricultura brasileira, como a soja (Glycine max), o café (Coffea), o feijão (Phaseolus vulgaris L.) e a laranja (Citrus sinensis).

Esse serviço ambiental (ecossistêmico), estimado em R$ 43 bilhões anuais, fundamental para garantir a segurança alimentar da população e a renda dos agricultores brasileiros, tem sido ameaçado por fatores como o desmatamento, as mudanças climáticas e o uso de agrotóxicos. A fim de combater essas ameaças, que colocam em risco a produção de alimentos e a conservação da biodiversidade brasileira, são necessárias políticas públicas que integrem ações em diversas áreas, como a do meio ambiente, da agricultura e da ciência e tecnologia.

O alerta foi feito por um grupo de pesquisadores autores do 1º Relatório Temático de Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil e de seu respectivo “Sumário para Tomadores de Decisão”, lançados quarta-feira (06/02), durante evento na FAPESP.

Resultado de uma parceria entre a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, da sigla em inglês), apoiada pelo Programa BIOTA-FAPESP, e a Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP), o relatório foi elaborado nos últimos dois anos por um grupo de 12 pesquisadores e revisado por 11 especialistas.

O grupo de pesquisadores fez uma revisão sistemática de mais de 400 publicações de modo a sintetizar o conhecimento atual e os fatores de risco que afetam a polinização, os polinizadores e a produção de alimentos no Brasil, e apontar medidas para preservá-los.

“O relatório aponta que o serviço ecossistêmico de polinização tem uma importância não só do ponto de vista biológico, da conservação das espécies em si, como também econômica. É essa mensagem que pretendemos fazer chegar a quem toma decisões no agronegócio, no que se refere ao uso de substâncias de controle de pragas ou de uso da terra no país”, disse Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e membro da coordenação da BPBES, durante o evento.

O relatório indica que a lista de “visitantes” das culturas agrícolas supera 600 animais, dos quais, no mínimo, 250 têm potencial de polinizador. Entre eles estão borboletas, vespas, morcegos, percevejos e lagartos.

As abelhas predominam, participando da polinização de 91 (80%) das 114 culturas agrícolas que dependem da visita de polinizadores e são responsáveis pela polinização exclusiva de 74 (65%) delas.

Algumas plantas cultivadas ou silvestres dependem, contudo, exclusivamente ou primordialmente de outros animais para a realização desse serviço, como é o caso da polinização de flores de bacuri (Platonia insignis) por aves. Outros exemplos são da polinização de flores de pinha (Annona squamosa) e araticum (Annona montana) por besouros, de flores de mangaba (Hancornia speciosa) por mariposas e de flores de cacau (Theobroma cacao) por moscas.

“As plantas cultivadas ou silvestres visitadas por esses animais polinizadores enriquecem a nossa dieta ao prover frutas e vegetais que fornecem uma série de nutrientes importantes”, disse Marina Wolowski, professora da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e coordenadora do relatório. “Outras plantas cultivadas pelo vento, como o trigo e o arroz, por exemplo, estão mais na base da dieta”, comparou.

Os pesquisadores avaliaram o grau de dependência da polinização por animais de 91 plantas para a produção de frutas, hortaliças, legumes, grãos, oleaginosas e de outras partes dos cultivos usadas para consumo humano, como o palmito (Euterpe edulis) e a erva-mate (Ilex paraguariensis)

As análises revelaram que, para 76% delas (69), a ação desses polinizadores aumenta a quantidade ou a qualidade da produção agrícola. Nesse grupo de plantas, a dependência da polinização é essencial para 35% (32), alta para 24% (22), modesta para 10% (9) e pouca para 7% (6).

A partir das taxas de dependência de polinização dessas 69 plantas, os pesquisadores estimaram o valor econômico do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no Brasil. O cálculo foi feito por meio da multiplicação da taxa de dependência de polinização por animais pela produção anual do cultivo.

Os resultados indicaram que o valor do serviço ecossistêmico de polinização para a produção de alimentos no país girou em torno de R$ 43 bilhões em 2018. Cerca de 80% desse valor está relacionado a quatro cultivos de grande importância agrícola: a soja, o café, a laranja e a maçã (Malus domestica).

“Esse valor ainda está subestimado, uma vez que esses 69 cultivos representam apenas 30% das plantas cultivadas ou silvestres usadas para produção de alimentos no Brasil”, ressaltou Wolowski.

Fatores de risco

O relatório também destaca que o serviço ecossistêmico de polinização no Brasil tem sido ameaçado por diversos fatores, tais como desmatamento, mudanças climáticas, poluição ambiental, agrotóxicos, espécies invasoras, doenças e patógenos.

O desmatamento leva à perda e à substituição de hábitats naturais por áreas urbanas. Essas alterações diminuem a oferta de locais para a construção de ninhos e reduzem os recursos alimentares utilizados por polinizadores.

Já as mudanças climáticas podem modificar o padrão de distribuição das espécies, a época de floração e o comportamento dos polinizadores. Também são capazes de ocasionar alterações nas interações, invasões biológicas, declínio e extinção de espécies de plantas das quais os polinizadores dependem como fonte alimentar e para construção de ninhos, e o surgimento de doenças e patógenos.

Por sua vez, a aplicação de agrotóxicos para controle de pragas e patógenos, com alta toxicidade para polinizadores e sem observar seus padrões e horários de visitas, pode provocar a morte, atuar como repelente e também causar efeitos tóxicos subletais, como desorientação do voo e redução na produção de prole. Além disso, o uso de pesticidas tende a suprimir ou encolher a produção de néctar e pólen em algumas plantas, restringindo a oferta de alimentos para polinizadores, ressaltam os autores do relatório.

“Como esses fatores de risco que ameaçam os polinizadores não ocorrem de maneira isolada é difícil atribuir o peso de cada um deles separadamente na questão da redução das populações de polinizadores que tem sido observada no mundo”, disse Wolowski.

Na avaliação dos pesquisadores, apesar do cenário adverso, há diversas oportunidades disponíveis para melhorar o serviço ecossistêmico de polinização, diminuir as ameaças aos polinizadores e aumentar o valor agregado dos produtos agrícolas associados a eles no Brasil.

Entre as ações voltadas à conservação e ao manejo do serviço ecossistêmico de polinização estão a intensificação ecológica da paisagem agrícola, formas alternativas de controle e manejo integrado de pragas e doenças, redução do deslocamento de agrotóxicos para fora das plantações, produção orgânica e certificação ambiental.

Uma política pública destinada aos polinizadores, à polinização e à produção de alimentos beneficiaria a conservação desse serviço ecossistêmico e promoveria a agricultura sustentável no país, estimam os pesquisadores.

“Esperamos que o relatório ajude a estabelecer planos estratégicos e políticas públicas voltadas à polinização, polinizadores e produção de alimentos em diferentes regiões do país”, afirmou Kayna Agostini, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e também coordenadora do estudo.

Na avaliação de Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, o relatório incorpora várias atividades que o programa BIOTA tem feito ao longo dos seus 20 anos de existência. Entre elas, a de fornecer subsídios para políticas públicas.

“O BIOTA-FAPESP participa ativamente da vida do Estado de São Paulo e do país ao fornecer subsídios científicos para as decisões governamentais e, ao mesmo tempo, realizar atividade de pesquisa da maior qualidade em uma área vital”, disse Zago na abertura do evento.

Também esteve presente na abertura do evento Fernando Dias Menezes de Almeida, diretor administrativo da FAPESP.

Fonte: FAPESP

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