Camuflagem contra as defesas do cacaueiro – Estratégia bioquímica torna mais eficazes fungos que causam as doenças vassoura-de-bruxa e monilíase

Fonte: Revista FAPESP Edição Online 15:10 18 out 2018 por 

Duas espécies de fungo que atacam o cacaueiro despistam o sistema de defesa da planta. Elas produzem uma proteína defeituosa que funciona como uma espécie de camuflagem bioquímica, evitando a detecção do invasor.

Moniliophtora perniciosa é causador da vassoura-de-bruxa, doença que décadas atrás devastou plantações de cacau na Bahia, e Moniliophtora roreri é o fungo responsável pela monilíase, comum nos cacaueiros em outros países da América do Sul. Um grupo internacional coordenado pelos pesquisadores brasileiros Gonçalo Amarante Pereira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Paulo Teixeira, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos, investigou a proliferação dos dois tipos de fungo em publicação de setembro na revista Current Biology.

Moniliophtora perniciosa infecta ramos, frutos e flores dos cacaueirosScott Bauer

Um dos componentes da parede celular dos fungos é um tipo de açúcar, a quitina, que é reconhecida pelo sistema de defesa das plantas como parte de um possível invasor. Fragmentos de quitina são reconhecidos por receptores nas células das plantas, acionando a produção de compostos químicos nocivos ao invasor. M. perniciosa e M. roreri, no entanto, conseguem burlar esse sistema imunológico produzindo versões modificadas de uma proteína chamada quitinase, batizadas como MpChi e MrChi. Alteradas e inertes, sem a ação enzimática que seria típica de uma quitinase normal, elas aderem às partículas de quitina que se soltam dos fungos e as torna invisíveis ao sistema de detecção da planta. Assim, os fungos impedem a ativação do sistema imune da planta conseguem proliferar à vontade. Outro achado curioso é que MpChi e MrChi surgiram de forma independente nesses fungos já que alterações distintas as tornam inertes.

Experimentos conduzidos pelo biólogo Gabriel Fiorin, aluno de mestrado de Pereira e Teixeira, indicaram que a expressão do gene que codifica a quitinase modificada aumenta quando as duas espécies invadem o cacaueiro. O resultado ajuda a compreender por que esses fungos, responsáveis por perdas expressivas nas lavouras de cacau, são tão agressivos e difíceis de combater.

Projetos
1.
 Estudo integrado e comparativo de três doenças fúngicas do cacau: Vassoura-de-bruxa, monilíase e mal-do-facão, visando a compreensão de mecanismos de patogenicidade para o desenvolvimento de estratégias de controle (nº 09/50119-9); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Gonçalo Amarante Guimarães Pereira (Unicamp); Investimento R$ 1.935.786,88.
2. Investigação das estratégias de adaptação ao estilo de vida patogênico de fungos do gênero Moniliophthora em diferentes níveis de organização biológica: Espécies, biótipos e linhagens geográficas (nº 16/10498-4); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Antonio Vargas de Oliveira Figueira (Cena-USP); Investimento R$ 2.392.574,93.

Artigo científico
FIORIN, G. L. et al. Suppression of plant immunity by fungal chitinase-like effectorsCurrent Biology. on-line. 13 set. 2018.

 

Seleção de matéria e Postagem: Blanche Sousa Levenhagen – Ecobio/kastor Consultoria Ambiental – Laudos de fauna e Caracterização de Vegetação, Licenciamento ambiental, regularização ambiental, projetos de recuperação de área degradada, projetos de compensação ambiental, PGRCC, PGRS, TCRA, TAC, TCA (prefeituras) PCA (Projeto de Compensação Ambiental), relatórios ambientais, processos DAEE, INCRA, DEPAVE, SEMASA, Restauração ecológica, Plantio de compensação ambiental, relatórios de monitoramento de plantio, relatório de plantio, Regularização CETESB, PTRDA – DECONT, Processos GRAPROHAB, autorização de corte de árvores isoladas, processos de IPTU Verde, RAS Relatório Ambiental Simplificado, Perícia ambiental, Assistência técnica, Licenciamento IBAMA, Licenciamento CETESB.

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